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O direito
de contestar

Resposta à reportagem ‘Fisco aponta manobras tributárias de empresários ligados a Bolsonaro’ publicada na Folha

O Brasil, e isso não é segredo para ninguém, é um país com uma das mais complexas e mais injustas cargas tributárias (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/03/estudo-aponta-que-carga-tributaria-bateu-recorde-em-2019.shtml) do mundo. Pagamos muito imposto e o emaranhado de leis, regramentos, exceções, códigos, estatutos e ordenações ligadas aos impostos é digno de um romance kafkiano. Essa realidade tem como resultado prático que o Brasil é hoje um portento em termos de litígios na área tributária.

Estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) de 2019 mostrou a velocidade do aumento do contencioso tributário federal, que cresceu 51% nos últimos cinco anos. Em 2013, o estoque na esfera federal estava avaliado em R$ 2,275 trilhões, o que equivalia a 42,7% do PIB. No ano passado, alcançou R$ 3,440 trilhões, valor correspondente a 50,4% das riquezas geradas pelo País.

Matéria recente publicada nesta Folha em 24 de junho – Fisco aponta manobras tributárias de empresários ligados a Bolsonaro (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/06/fisco-aponta-manobras-tributarias-de-empresarios-ligados-a-bolsonaro.shtml) no afã de adjetivar empresários por eventuais posicionamentos políticos omite o tamanho do problema e força ao entendimento inclinado.

A Riachuelo, empresa fundada por meu pai há mais de 70 anos, é seguramente hoje uma das empresas que mais paga impostos no país. Somente em 2019 foram cerca de R$ 1 bilhão recolhidos aos cofres públicos nas esferas federal, estadual e municipal. É preciso deixar bem claro para todos que contestação tributária não é sinônimo de evasão fiscal. Fazer a devida contestação sobre temas tributários é algo assegurado a todos os indivíduos e organizações pela normativa brasileira.

Nos orgulhamos de ser uma empresa que gera mais de 40 mil empregos diretos e cerca de 1 milhão de indiretos em todo o país, e fazemos questão de contribuir com o nosso justo quinhão para a construção de um Brasil cada vez melhor. Mas isso não quer dizer que não temos o direito de questionar eventuais erros ou desvios causados pela altíssima complexidade de nosso código tributário, e é essa distinção que a supracitada matéria deixa de fazer.

Os débitos apontados no texto (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/06/fisco-aponta- manobras-tributarias-de-empresarios-ligados-a-bolsonaro.shtml) não são fruto de desvios ou camuflagem de lucros, mas sim uma justa contestação de valores cobrados — regiamente pagos — de forma absolutamente indevida pelas autoridades.

Esta é a nossa maneira de atuar, sempre por vias legais, que inclusive já nos garantiu um histórico formado por pareceres judiciais favoráveis que somam, em uma década de debate nos tribunais, cerca de R$ 1,2 bilhão que voltaram para a empresa e puderam financiar nosso crescimento e, consequentemente, a geração de mais empregos.

A defesa da necessidade de uma reforma tributária (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/reforma-tributaria/) é provavelmente uma das poucas unanimidades que temos neste país. Mas o diabo, como não poderia deixar de ser, mora nos detalhes, e nós ainda não conseguimos chegar a um consenso sobre como deveria ser esta reforma. O fato é que vivemos em uma nação que cobra mais de R$ 1,5 trilhão em impostos de seus cidadãos, e isso já deixou de ser suportável há muitos e muitos anos.

Precisamos simplificar todo o sistema, reduzir a pressão sobre os cidadãos e sobre as empresas grandes, médias, pequenas e micro. Temos de desenvolver um novo código que esteja alinhado com a revolução tecnológica que o mundo atravessa nesse século, e que estimule o empreendedorismo, a criação de novas formas de trabalho e que tenha como objetivo final servir à sociedade como um todo, e não somente ao leviatã estatal que acabamos criando. Enquanto isso não acontecer muitas

empresas serão obrigadas a continuar lutando contra as injustiças de um sistema que já se provou ultrapassado há muito tempo.

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Alma de
startup

Em tempos de renovação digital, a Riachuelo se transforma em hub de moda e estilo de vida

A crise atual é um período sem precedentes. Porém, as oportunidades que surgem podem mudar a história da sua empresa. É justamente nesse momento que a Riachuelo vê pulsar em suas veias um sangue de startup. Nossa capacidade de reinvenção nos acompanha em nossos 72 anos de atividade. Agora, essa força vital se mostrou decisiva para nos manter firmes nessa tempestade.

A faceta mais visível da companhia são as lojas. Entre 320 unidades,  três quartos delas estão em shoppings. No entanto, temos uma estrutura bastante complexa. Esse grupo integrado vai do fio até a décima prestação depois da venda.

Temos ainda uma relevante operação financeira, junto com varejo, confecção e logística. Não estamos limitados, portanto, a uma rede de lojas. No futuro, estaremos posicionados como um hub de estilo de vida e de moda – e tudo o que transita ao redor da moda: gastronomia, viagens, decoração.

Nesse mundo digital, queremos ser um ponto de encontro. Nele, as empresas não têm fronteiras. Isso é um espaço muito cobiçado no meio digital brasileiro. Isto porque moda representa um terço do dinheiro que circula na internet do mundo. E metade do seu conteúdo.

É para isso que estamos nos preparando. Estamos vivendo uma acelerada inclusão digital. Estamos acelerando cinco anos em cinco semanas. É o momento de colocar à prova a nossa habilidade de alargar os canais digitais.

Temos 31 milhões de portadores do cartão Riachuelo – o dinheiro de plástico. Rapidamente, esse contingente está migrando para o aplicativo da financeira do grupo, a Midway. Isso prova que podemos ter esses múltiplos pontos de contato com a fiel clientela.

Nas palavras do CFO das Lojas Riachuelo, Túlio Queiroz, estamos vivendo um momento único. “A companhia está passando por um período de muitos testes. Colocamos em prática todos os planos de contingência para trabalhar na dinâmica de proteção do negócio”.

Tudo em uma pista totalmente digital. Na sua avaliação, teremos um período difícil do ponto de vista econômico. Porém, o mundo dos ganhos será perpétuo. “A empresa está se transformando com uma dinâmica omnichannel. O caminho que está sendo criado tem muito mais valor do que as perdas atuais, que têm hora para acabar.”

Quanto mais digital o mundo se torna, mais o nosso modelo integrado se mostra competitivo, porque está baseado em gestão de fluxo. A empresa não se baseia em estações do ano, mas em coleções rápidas. Tal qual água encanada, cada loja recebe mil SKUs por dia – 350 mil SKUs por ano (Stock Keeping Unit – Unidade de Manutenção de Estoque). É um modelo altamente reativo. A cada peça vendida, é reposta por meio do Centro de Distribuição. Esta é a importância de ter todos os vagões do trem – todos os elos – ao seu alcance. Isso dá um controle muito mais preciso do fluxo.

Quando acontece algo tão inesperado quanto essa pandemia, fica muito mais fácil acelerar ou desacelerar para quem tem o controle total da cadeia de suprimentos. Temos baixa dependência de produtos importados. A nossa operação em Xangai ficou com a produção de itens básicos. Após pandemia, iremos valorizar ainda mais a produção doméstica. Além da questão do câmbio, isso vai aumentar a nossa competitividade.

Nesse momento, temos de exaltar os #riacholovers, iniciativa que transforma os colaboradores da companhia em promotores de venda e da própria marca. Transformamos os 40 mil colaboradores em uma equipe de vendas. Tem gente vendendo dez vezes mais do que vendia dentro da loja.

Também tivemos a venda por WhatsApp, disponível em todos os mercados operados pela companhia. Isso transforma cada uma das lojas em um pequenos centros de distribuição. É um last-mile a partir da loja.

Estamos desenvolvendo o Drive Thru para facilitar o acesso do cliente em 156 lojas. Isto sem falar do projeto chip for store – fazendo com que todo o estoque da companhia (centro de distribuição e lojas) – estejam disponíveis nos canais digitais. Nesse aspecto, a Inteligência artificial é uma importante aliada. Porque disponibiliza o estoque mais próximo ao cliente. Estamos na fase final de implementação. Será um passo transformador nessa jornada digital. O cliente está no centro, não importando onde está interagindo com a empresa – loja ou serviços financeiros. O atendimento acontece de forma única.

Eram projetos para um ano ou dois. E logo foram colocados em ação. Para se ter uma ideia, em 25 de maio, tivemos uma venda 109% superior ao mesmo dia do ano anterior. Estamos adicionando mais de 500% em nosso canal digital. E isso não deve canibalizar o resultado da loja. É importante destacar que dentro desse contingente de aumento dos meios digitais, apenas um terço é de clientes já frequentes e dois terços de novos consumidores.

Nós queremos ser uma empresa omnichannel, com total sinergia entre canais e não a competição entre eles. Nesse período, podemos dizer que ganhamos mercado por conta da força da marca.

Assim como momentos de pós-guerra, o período depois da pandemia irá fazer desabrochar a moda. É quando tudo fica mais exuberante e colorido. Não espero um consumidor arredio, traumatizado, enclausurado. Pelo contrário, ele vai voltar à vida assim como o urso que sai da hibernação. As pessoas irão se encontrar com a vida num processo de autoindulgência e de aproveitar as coisas boas. Sou um otimista. Esta é uma característica do varejista. E o varejista brasileiro, então, precisa multiplicar o seu otimismo.

#riachuelo #riacholovers #varejo #pandemia #coronavirus #moda #hub #estilo

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A segunda
onda

Desemprego pode se tornar um tsunami depois de vencermos o coronavírus

O setor de varejo está se mobilizando no Brasil. Isso é fundamental para encararmos essa crise com o senso de urgência que ela necessita. Não me refiro apenas ao combate ao coronavírus. Mas as suas consequências. A essa consequência vou dar o nome de segunda onda. A primeira é a pandemia em si, com o seus contaminados, internados e, infelizmente, mortos.

A economia pode ser a próxima vítima. Ela não será atingida pela Covid-19 diretamente, mas pelas medidas tomadas para contê-lo. Dentro desse contexto, é o no varejo que reside o pior problema. O setor é extremamente pulverizado, além de ter predominância de empresas mais frágeis, sem acesso a crédito. Por isso, podemos considerá-lo o elo de mais difícil reconstrução, quando a tempestade passar.

A indústria pode ser tirada da tomada e religada depois da crise. No varejo, é diferente. É uma relação direta com o cliente. De trás do balcão, observa-se o mercado de uma posição privilegiada. Lá tudo se vê. Se o contato e relação de confiança com o cliente for esgarçada – danificada mesmo -, vai ser difícil consertar. Isto inclui a capilaridade do crédito. Desde a caderneta da padaria ao cartão private label das grandes redes.

Numa cadeia de suprimento moderna, o varejo é a locomotiva. Isto é, a força de tração de toda a economia. É muito importante manter esse setor irrigado, especialmente em relação ao crédito. Essas ações precisam chegar à ponta: pequenos comércios e prestadores de serviço.

A questão tributária é outro ponto fundamental. Ao mantermos essa carga tributária descomunal, o governo estaria retirando quase tudo o que poderia dar de benefício. É como se alguém jogasse dinheiro a partir de um helicóptero e mantivesse uma mega aspirador (na potência máxima) para pegar o mesmo dinheiro de volta.

O pior é que existem até algumas vozes isoladas no Congresso que falam de aumento de carga tributária. Um absurdo. Até porque o principal ataque ao caixa das empresas é de ordem tributária. Isso não acontece apenas no plano federal, com imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido. Estamos sofrendo também com a insensibilidade dos governadores e prefeitos. ICMS e ISS são os tributos que mais pesam.

É importante diminuir a voracidade desse aspirador de dinheiro. Precisamos manter a irrigação dos pontos-chave da economia. Seria de bom tom alterar alíquotas e até mesmo alongar alguns pagamento. Esse oxigênio seria fundamental especialmente para os pequenos lojistas.

Os governos precisam ter uma visão holística da situação. Enxergar o quadro geral. Estamos muito focados na área da saúde, como era de se esperar. Porém, as vítimas do coronavírus são fruto de uma primeira onda – do vírus em si. A área econômica precisa olhar para a segunda onda. Essa onda inclui desempregados, desalentados e vítimas da violência urbana. Se focarmos apenas em impedir a primeira onda, a segunda pode ser devastadora.

Claro, vida é o bem maior, o dom mais precioso. Não se trata de falar em dinheiro quando há vidas em questão. Não podemos perder, no entanto, a perspectiva social. Até porque fome e  violência também matam.

Como bem lembrou o ministro Paulo Guedes a economia é um organismo vivo. Isso vale principalmente para o setor de serviços. “É importante manter os sinais vitais ativos. Estamos falando de serviços de abastecimentos, luz, comunicação, saúde, ecommerce, delivery, teletrabalho”, alertou Guedes. De acordo com ele, a economia precisa continuar respirando, para não prejudicar a velocidade da volta. “Além do problema de saúde, se tivermos falta de dinheiro e emprego, a crise pode ser muito maior. Uma catástrofe.” Ele disse estar muito atento à questão do excesso de impostos. Mas não podemos ter uma cultura de calote.

De todos os impostos, o mais cruel é aquele que incide sobre a folha de pagamentos. Numa revisão desses impostos, podemos criar empregos em massa. É a única forma de sair dessa crise e conter essa segunda onda.

A hibernação deve ser feita de forma correta. Quando a crise passar, os organismos voltariam a funcionar de forma gradual até atingir a sua potência máxima. Não podemos apagar o país durante esse período de inatividade. O Brasil precisa continuar. Trabalhadores e empresários serão, juntos, o pilar dessa retomada.

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Tempo de
mudança

“Nada é mais poderoso do que uma ideia que chegou no tempo certo.” A frase do escritor e poeta francês Victor Hugo (1802-1885) é inspiradora e revela o momento que vivemos no Brasil. Desde 1993, sou movido por um ideal. Impulsionado por um sonho. Quero reintroduzir este país no jogo competitivo internacional. Porque o sistema tributário brasileiro é como areia nas delicadas engrenagens da nossa economia.

A época, Embasado na genialidade dos estudos acadêmicos do professor Marcos Cintra, apresentei o projeto que se tornou conhecido como “Emenda do Imposto Único”. Percorremos esse Brasil de ponta a ponta, também na companhia do grande intelectual liberal Roberto Campos, uma das figuras mais brilhantes que tive a oportunidade de conhecer. Porém a maior frustração da minha vida foi quando o sonho do imposto único se tornou o pesadelo do septuagésimo segundo tributo do manicômio tributário brasileiro.

Essa frustração foi marcante. Porém, a exemplo do que dizia o autor de “Os Miseráveis”, nosso ideal está ganhando força a cada dia. E essa ideia está ao alcance das nossas mãos. Não de uma reforma tributária, mas de uma verdadeira disrupção, uma transformação digital na forma de financiar o Estado.

É o contrário do que se apresenta no Congresso Nacional: as PECs 45 e 110. Elas vão se transformar em um verdadeiro pesadelo. Na calada da noite, setores poderosos (de baixíssima informalidade) se reuniram para elaborar uma proposta. E eles têm muita força para repassar os impostos nos preços dos seus produtos.

Esses segmentos se reuniram para elaborar uma proposta de reforma tributária na qual somente eles ganham. E quem perde? A imensa maioria do povo brasileiro. Os setores que representam 80% dos empregos gerados são chamados a pagar a conta. Isso não é apenas uma transferência de margens de lucro. Não é apenas jogar a batata quente para os mais frágeis. Isso é uma loucura que tem o potencial de desorganizar completamente a economia brasileira. Porque o sistema brasileiro é uma lenta construção por tentativa e erro para testar o grau de desaforo tributário que cada cadeia produtiva é capaz de tolerar.

Em São Paulo, o setor de restaurantes já pagou 18% de ICMS. Depois, baixou a 12%, 8%. Foi para 4% e hoje a alíquota é de 2,5%. Nunca esse setor arrecadou tanto. Imagine a desorganização que será causada por esse gesto de voluntarismo. Num movimento brusco – e  embasado no dogma do chamado flat tax (unificação de alíquotas), a proposta tira o IPI da indústria automobilística e joga em restaurantes, manicures e cabelereiros.

As propostas conseguem algo que se imaginava ser impossível: piorar o sistema tributário nacional. No último ranking do Doing Business, no capítulo do Sistema Tributário, o Brasil está nas últimas colocações entre 190 países estudados. Não há nada tão ruim que não se consiga piorar. E é isso que está batendo a nossa porta. Aliás, essa PEC já está sendo conhecida como a PEC dos banqueiros.

Com a mobilização dos setores de varejo e serviços, podemos voltar a sonhar. É um novo alento. Temos de almejar um sistema tributário racional, progressivo. Tem de tirar essa areia das engrenagens da economia. Porque as PECs 45 e 110 promovem a injustiça de desonerar fortemente os setores mais poderosos. A consequência disso é onerar aqueles mais vulneráveis da cadeia produtiva, especialmente do ponto de vista da informalidade. Essas PECs vão adotar o pior imposto possível, que é o imposto sobre o consumo. É o imposto regressivo por excelência. Tributa muito mais o pobre, porque o Brasil é o país que mais tributa o consumo. Sorrateiramente escondido nos preços, essa alíquota chega a quase 40% dos impostos. Tal percentual pesa no mais desvalido, daquele que ganha um salário mínimo, por exemplo, e que não tem espaço para poupar. Ao receber um salário, provavelmente vai consumir tudo o que ganha. Com o rico, isso é totalmente diferente. Isto porque o mais abastado consegue poupar a maior parte do que recebe. E o imposto vai comer a pequena parcela daquilo que consome. Isso é muito injusto.

Outra coisa importante. O IVA é o imposto com os dias contados. Esse imposto é da época da economia linear, que não existe mais. A economia está deixando de ser uma água encanada. Hoje, é um spray de micropartículas. Estamos no século 21 vivendo a era uberizada, dos market places, do pier to pier, do C2C. O IVA não alcança esse mundo novo.

Então, vamos começar uma reforma tributária em cima de um alicerce podre. Imagine o período de transição de dez anos. É impensável. Daqui a uma década, não vai existir IVA, mas sim os impostos da economia digital. Isto se for com as alíquotas atuais. O IVA de 25% não irá durar mais três anos. Vai empurrar cadeias produtivas inteiras para a total clandestinidade.

É possível, no entanto, cultivar certo otimismo. A maioria silenciosa se levantou. Esse contingente de trabalhadores e geradores de emprego foi surpreendido por uma reforma que é um verdadeiro acinte. Essa PEC dos banqueiros não vai prosperar. Os setores realmente produtivos resolveram ser levantar. Serviços, Varejo, Agronegócio e profissionais liberais vão fincar sua bandeira em Brasília. A bandeira da prosperidade, da justiça e da liberdade. A economia do Brasil e o emprego dos brasileiros clamam por essa mobilização.

Precisamos encher o auditório do Senado e nos fazer representar diante dos parlamentares. Eles vão nos escutar. Escreva para o seu deputado e senador. Ninguém pode mais se fingir de surdo, quando as ruas gritam por justiça. Queremos que todos paguem impostos. E que todos paguem menos.

#reformatributaria #reformatributária #PEC45 #PEC110 #impostounico #impostoúnico

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O tempo
da inovação

O mundo digital cria muitos mitos e até vocábulos. No início da internet, aprendemos o que eram bytes, memória, browser e website. Agora, no reino das mídias sociais, estamos envolvidos por engajamentos, memes, influenciadores e tantos novos termos.

Não adianta, porém, colocar uma hashtag numa camiseta e fazer de conta que é moderno e inovador. No fim das contas, o protagonista digital (e real) vai ser aquele que cultiva a sua intimidade com o cliente.

Nesse ponto, tenho lugar de fala (utilizando aqui um termo que vem se tornando clichê) para falar sobre a Riachuelo. A nossa casa mostra que uma empresa de 72 anos pode, sim, ser muito inovadora.

A abertura da loja no Shopping Morumbi, em São Paulo, mostra como os canais digitais e físicos funcionam muito bem juntos. Essa unidade é um passo à frente em relação a omnichannel, multicanal e ecommerce. Estamos falando do new retail. Isto significa atuar nas várias esferas da loja, do site, das mídias sociais e todas as interatividades possíveis. Tudo ao mesmo tempo.

Pronta para todos os públicos, a loja ocupa os seus 2.290 metros quadrados divididos em muitas áreas: acessórios, beachwear, beauty, calçados, eletrônicos, feminina, fitness, geek, infantil, lingerie e masculina.

Essa nova unidade parece uma viagem imersiva em um filme de ficção científica. E o melhor: essa imersão é pura realidade. Os provadores, por exemplo, apresentam um espelho interativo. Possibilita consultar mais cores e verificar tamanhos disponíveis com um simples toque. O espelho virou uma tela, que abre um universo de possibilidades.

A loja apresenta o estágio mais avançado em termos de tecnologia atual. Vai marcar época. E o mais desafiador é que estamos vivendo a etapa anterior que será a libertação da tela de celular. Essa telinha vai ser substituída pelo projetor retinal. Além disso, teremos a combinação do projetor retinal com a interface de voz. Isso vai trazer um grau de liberdade para o usuário nunca antes visto. É inimaginável.

Sem falsa modéstia, a Riachuelo está preparada para esse futuro. Trata-se de uma empresa equipada para darmos um salto da transformação digital. Mesmo com uma bagagem de sete décadas, não perdemos a inquietude e a busca da inovação. Aliás, isso é fundamental em uma empresa de moda.

A nossa base física é bem enraizada com 320 lojas nos 27 estados e no Distrito Federal. Temos também uma presença forte no mundo digital, com vínculos financeiros com 31 milhões de titulares do cartão Riachuelo. Isso vai nos permitir atender o cliente por todos os lados. A transformação dos meios de pagamento é outra revolução. Enquanto os bancos sabem o “quanto”, os varejistas sabem “o que” e “como”.

É o conhecimento dessas dezenas de milhões de clientes que nos permite criar um canal aberto com quem está do outro lado do balcão. No fim das contas, esta é a essência do varejo.

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Cuidado com
os clichês

Ninguém está livre de ser bombardeado por meias verdades, afirmações simplistas ou mentiras mesmo. A discussão a respeito da reforma tributária está contaminada dessas três doenças. Não que esses ruídos de comunicação sejam novos, mas eles se espalham com muito mais facilidade hoje em dia. Eles viralizam – como se diz na linguagem digital. E fazem tão mal quanto qualquer vírus.

Existe uma unanimidade preocupante entre economistas, políticos e demais formadores de opinião. Dez entre dez desses personagens estão presos ao conceito de imposto sobre valor agregado, o famigerado IVA. E pior: insistem em demonizar a taxação das movimentações financeiras e lançam mão de um clichê pavoroso: a CPMF.

Este é um erro lamentável. A inteligência econômica brasileira precisa pensar fora da caixa. Marc Chesney, diretor do Departamento de Banco e Finanças da Universidade de Zurique (Suíça), é um dos principais defensores do microimposto no mundo. Ele traça com muita clareza e objetividade um panorama dos benefícios que um microimposto pode trazer a um país. A base de dados dele é a Suíça, mas isso não impede de trazer pontos de contato com a realidade brasileira. Chesney é também um dos promotores de um plebiscito em seu país para implementar o microimposto.

Em geral, o sistema de tributação é “arcaico, burocrático e injusto” – como bem definiu o estudioso. Isso, aliás, não é um privilégio brasileiro. “Em uma era de digitalização e automatização, tributar o trabalho é contraproducente, pois muitos empregos tendem a desaparecer”.

No mínimo, é preguiçoso comparar o microimposto com o infame imposto do cheque – de tão triste memória para nós. Chesney esgota a questão: “O microimposto difere de outros impostos similares, incluindo a CPMF ou a taxa Tobin, por duas razões principais. Em primeiro lugar, trata-se de tributar todas as transações eletrônicas, e não somente as correspondentes a determinadas operações, como acontece com o IOF”.

Outro ponto importante se refere à taxação das transações financeiras. “São precisamente as transações interbancárias que iriam gerar uma enorme base tributária. O microimposto permite reequilibrar a carga fiscal deslocando, parcialmente, a carga da população e das empresas para o sistema financeiro, onde circula uma massa de riqueza extraordinária.”

Os países que adotarem o microimposto como padrão tributário irão largar na frente. A novíssima economia está aí desintegrando cadeias produtivas e digitalizando transações. E a taxação do movimento da riqueza será o único meio de garantir dinamismo para a economia e salvaguardar empregos. Sem medo, sem clichês. O microimposto dará o um impulso de foguete para a nação que o adotar. Esperemos que o Brasil não perca mais esta oportunidade.

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Sam Walton:
o pai do varejo

Se o assunto é empreendedorismo, o americano Sam Walton é um nome obrigatório. Não ligou o nome à pessoa? Ele é o fundador do Walmart e do Sam’s Club, duas das maiores marcas do mundo nos segmentos de varejo e atacado. O Walmart, por exemplo, é a 11ª marca mais valiosa do planeta, segundo a consultoria britânica Brand Finance.

Vamos as números. O Walmart internacional soma 5.900 unidades comerciais em 26 países, com mais de 700 mil colaboradores e 100 milhões de clientes semanais. A companhia registrou crescimento em 20 trimestres seguidos. A previsão é fechar o ano de 2019 com US$ 514 bilhões em vendas, um valor 2,73% maior do que o ano passado. Portanto, o título de maior varejista do mundo não é por acaso.

Na origem de tudo, havia alguém abnegado. Samuel Moore Walton (1918-1992) nasceu no Oklahoma e tem uma história de superação desde muito jovem. Ele ajudou os pais nas despesas domésticas, especialmente durante o período da Grande Depressão. Entregava leite e jornais de casa em casa.

Na época da universidade, Walton já deu os seus primeiros passos no varejo no Des Moines, da J.C. Penney Company, quando ainda era um pequeno lojista. Depois de servir as forças armadas durante a Segunda Guerra Mundial, resolveu dar um jeito na própria vida.

Em 1945, adquiriu a sua primeira loja, graças a US$ 25 mil emprestados pelo seu sogro. Era uma franquia da Ben Franklin, em Newport, Arkansas. Menos de 20 anos depois, chegou a ter 15 unidades da rede, trabalhando em conjunto com seu irmão mais novo, James. Walton se frustrou com a política de gestão da rede, especialmente porque ignorou o seu esforço de expansão nas comunidades rurais.

Era hora levantar voo por conta própria. O primeiro Walmart, então, abriu as portas em 1962, em Rogers, no Arkansas. E o avião de Mr. Walton não parou de subir – aliás, ele realmente pilotava o próprio avião para visar a todas lojas. Em 1976, a companhia já tinha capital aberto e valia US$ 176 milhões. Nos anos 1990, esse valor batia o patamar de US$ 45 bilhões e superava Roebuck & Company e Sears. O Walmart há detinha o título de maior varejista dos EUA.

É claro. Sam Walton foi peça fundamental desse sucesso. Ele reunia uma visão de agressiva dos negócios – os descontos atraíam os clientes, em especial os moradores de áreas rurais. Era também incansável. O seu dia começava 4h30 da manhã. Se os números não o agradavam, não se fazia de rogado. Mudava tudo. Da organização aos rumos das empresas. “Este é um homem que trabalhava muito cedo, tinha calor e charme durante todo o dia, interesse em seus clientes e tratava seus associados bem como pessoas, não apenas como balconistas e vendedores”, contou ao New York Times o consultor de varejo Walter F. Loeb.

Era um fanático por resultados. Mesmo em tempos de recessão, chegou a registrar aumentos de vendas da ordem de 40%. “Sam Walton fundou esta empresa para ajudar as pessoas a economizar”, disse certa vez Craig Herkert, ex-presidente do Walmart para as Américas.

Em 1985, a revista Forbes mostrava Walton como o homem mais rico dos EUA. Se alguém queria irritá-lo, era só mostrar essa revista. “Todo esse tumulto em relação ao patrimônio líquido de alguém é simplesmente estúpido”, dizia ele.

Sam Walton morreu em decorrência de dois tipos de câncer: leucemia e de medula óssea. Deixou esposa, com quem casou em 1943, e quatro filhos: Robson, John, James e Alice. O primeiro foi o sucessor do pai, enquanto o segundo também assumiu funções no grupo até a sua morte, em acidente aéreo, em 2005.

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Vamos pensar
o Brasil

Reformas, reformas, reformas. Esse tem de ser o mantra para o Brasil. Um país melhor amanhã será possível apenas com o que fizermos hoje. O conjunto de medidas apresentadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, pode ser um sopro de vida para a gestão do Estado em todas as suas esferas.

Chamado de Plano mais Brasil, esse pacote promete colocar o nosso país em outro patamar. O dinheiro iria parar de circular nas altas rodas e passaria para os serviços essenciais, servindo ao pagador de impostos. Afinal, esta é a razão de ser do Estado.

Nessa série de reformas, estão medidas fundamentais. Estamos falando da PEC do Pacto Federativo, da Desvinculação dos Fundos e da Emergência Fiscal. Esses três foram para o Senado. Outras questões importantes foram encaminhadas para a Câmara, como a Reforma Administrativa e o Projeto de Lei das Privatizações. Por fim, temos a Reforma Tributária, que tanto falamos neste espaço. Esta será examinada por uma comissão mista, envolvendo parlamentares das duas casas. Aliás, vale lembrar que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, considera a reforma tributária fundamental para o crescimento econômico. Não é o caso, segundo ele, da previdenciária e administrativa. “A tributária é que tem a condição de destravar a economia brasileira”, comentou.

Conforme publicado na Agência Brasil, o ministro Paulo Guedes apresentou uma boa definição para as medidas que apresentou: “O pacto federativo é como se fosse um livro com vários capítulos. Ele é grande acordo político para complementar uma transição incompleta. Saímos de ordem fechada com estado aparelhado para fazer infraestrutura e fomos para democracia que tem legítimas aspirações, mas o meio não é eficiente”.

Guedes resume tudo numa frase: “É a nossa responsabilidade com as futuras gerações”. Como disse no início, o futuro depende do presente. Vamos arregaçar as mangas. Porque reconstruir um país dá trabalho.

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Doing Business:
a dura realidade

O novo relatório Doing Business 2020, do Banco Mundial, é um banho de água fria no Brasil. Mesmo com uma pontuação levemente maior do a que do ano passado, o pais despencou 15 posições nesse estudo. Caímos para a posição 124, com 59.1 pontos. Decepcionante, mas não surpreendente. A situação para quem faz negócios e gera empregos no Brasil ainda é muito complicada. É basicamente um ato de heroísmo.

Em 190 economias analisadas, estamos atrás de economistas emergentes, mas como PIBs inferiores. São os casos de México (60o), Colômbia (67o) e África do Sul (84o). Ficamos no retrovisor até de Uganda (116o), que está longe de ser uma potência econômica. Além disso,  praticamente empatamos com Argentina e Paraguai. No topo do ranking, temos de olhar de usar um binóculo para enxergar a pontuação de  Nova Zelândia, Singapura, Hong Kong (China), Dinamarca, Coreia do Sul, EUA, Geórgia, Reino Unido, Noruega e Suécia. Só para citar os dez primeiros.

O Doing Business 2020 trabalha com dados atualizados em maio de 2019. Os seus indicadores apontam análises dos resultados econômicos e identificam as reformas necessárias, suas regulamentações e como os negócios verdadeiramente funcionam.

O estudo analisa 12 áreas que afetam todas as empresas: iniciar uma empresa, lidar com licenças de construção, obter eletricidade, registrar propriedades, obter crédito, proteger investidores minoritários, pagar impostos, negociar além-fronteiras, fazer cumprir contratos, resolver insolvência, empregar trabalhadores e contratar com a empresa.

O estudo do Banco Mundial encontrou dois pontos positivos no panorama brasileiro, especialmente em algumas medidas municipais e estaduais. O primeiro se refere à abertura de negócios: “O Brasil facilitou o início de um negócio, agilizando o registro de empresas e diminuindo o custo do certificado digital. Essa reforma se aplica a São Paulo e o Rio de Janeiro”. E o segundo, o registro de propriedade: “O Brasil facilitou o registro de propriedades, melhorando a qualidade do sistema de administração de terras. Essa reforma se aplica a São Paulo e o Rio de Janeiro. São Paulo também introduziu o pagamento on-line e o Rio de Janeiro criou um sistema on-line para obter certificados de propriedades”.

Acabamos de aprovar a reforma da Previdência. Porém, isso não é o bastante. Longe disso. A reforma tributária precisa entrar em nosso radar com seriedade. Não falo apenas de uma mera mudança de nomes ou fusão de tributos. É preciso pensar fora da caixa. Eliminar o tempo que perdemos com simplicidade do sistema tributário é fator crucial para o desenvolvimento de negócios no país.

Destaco aqui uma opinião importante do Endeavor Brasil: “O único ônus que um bom sistema tributário deveria gerar para o contribuinte é o pagamento do tributo em si. Porém, no Brasil, as áreas tributárias, que não geram nenhum valor para as empresas, são tão grandes quanto áreas estratégicas, como marketing e logística”.

Precisamos, portanto, reduzir urgentemente as horas desperdiçadas pelas empresas em burocracias tóxicas. Não podemos perder mais tempo. Os outros países estão melhorando os seus ambientes de negócios de forma bem mais rápida do que nós. Eles são nossos concorrentes. É hora de limpar nosso motor com o carro em movimento e usar toda a nossa potência. Um país melhor para todos depende disso.

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Artigos

A reforma
tributária
que queremos

Ao discutir a Reforma Tributária durante do Fórum Band News, percebemos que temos uma longa estrada pela frente. Estamos diante de uma oportunidade de real transformação do modelo econômico. Essa quebra de paradigma tem de ir muito além de mudar o nome de um imposto ou taxa, ou simplesmente juntar A, B e C. Esses conceitos clássicos estão todos presos a uma caixa conservadora. E, convenhamos, medrosa.

Estamos na época de disrupções. No sistema tributário, a única forma de abandonar o modelo atual e iniciar algo novo é pensar fora da caixa.  Tributar patrimônio, consumo e renda é a prisão na qual todas as propostas de reforma estão encarceradas. O grito de liberdade é a tributação do movimento da riqueza.

Esta é a essência da proposta do microimposto, uma bandeira que levo hoje a todos os lugares. Não para melhorar a minha vida, mas a de todos os brasileiros, sejam eles trabalhadores, aposentados, profissionais liberais, empreendedores e, acreditem, até o próprio Estado. Queremos ir além do tributarismo tradicional. O nosso foco agora é uma nova e revolucionária base tributária, decorrente da transformação digital do sistema financeiro. Essa revolução inverteu uma realidade de grande impacto na forma de financiar do Estado.

No passado distante e até pouco tempo atrás, a mercadoria era visível. Já o meio de pagamento, ao contrário, invisível. Então, fazia sentido o Estado (seja qual for o seu modelo) ir até o celeiro para tributá-lo. Se alguém vendia uma carroça de milho, recebia três moedas de ouro. Era necessário rastrear os deslocamentos físicos de mercadoria.

Hoje, essa realidade se inverteu. A mercadoria é cada vez mais invisível. Cadeias produtivas inteiras se desmaterializam. Eu costumo citar um saudoso exemplo de uma página dupla de ofertas da Radio Schack, rede lojista americana. Ela tinha 40 produtos. Entre eles, uma câmera super 8, um fax, um gravador de fita K7 e um projeto de slides. Tudo aquilo que existia no mundo físico deixou de existir com a reolução digital. No máximo, representa poucos ícones em nossos smartphones.

Esta é a nova realidade da economia digital. Saímos do mundo do átomo para o universo do bit. Esta transformação não está apenas batendo a nossa porta. Está soando em nossos dispositivos. Daqui a dez anos, a nossa discussão atual vai parecer uma perda de tempo. Porque tudo vai existir no mundo virtual. Tudo vai estar lá devidamente documentado e rastreável.

O microimposto significa abandonar as bases dos anos 1980. Elas estão esfarelando. Até porque estão com os dias contados e não conseguem conviver com a economia uberizada. As transações C2C (de consumidor para consumidor, ou pier to pier). Devemos voltar os olhos do fisco para essa nova e revolucionária base: os fluxos financeiros.

A riqueza está em constante movimento. Apesar de esse processo acontecer de forma incessante e imparável, há uma forma muito prática de capturar o percentual mínimo (0,1%) de tudo isso. Basta utilizar os computadores dos bancos. Está tudo lá. Não precisamos inventar a roda. Ela já está girando, e em altíssima velocidade.

Assim, saímos da base do trilhão para o quatrilhão. É um patamar imenso das transações financeiras no Brasil. Devo dizer que a nossa discussão sobre reforma tributária está em cima de um equívoco: a tributação do consumo. Essa ideia do Imposto sobre Valor Agregado tem uma base de R$ 4 trilhões e é o mais sonegado de todos os impostos. E também o mais regressivo. Há uma total correlação da desigualdade dos países com essa tributação. Ao lado de México e Turquia, o Brasil forma o trio de campeões de tributação do consumo. Essas nações extraem do consumo mais da metade do bolo tributário. E a ideia é aumentar ainda mais essa carga pesada sobre uma base já exaurida.

Um trabalhador que recebe salário mínimo, provavelmente, vai gastar 100% da sua renda em consumo. Ele já havia sido “extorquido” como assalariado. E esse salário já custou o dobro para o empregador. O rico, por outro lado, poupa 90% do que recebe e gasta 10%. Desses 10%, são tributados 4%. Vejam a diferença. Em cima do pobre, são 40% da renda. E do rico, 4%. Não há nada mais injusto do que isso.

O pior de tudo é que a nossa base tributária é arenosa. Temos, no mínimo, 40% de sonegação. Então, a nossa carga tributária incide sobre 60% da economia. Falar em um IVA flat (igualitário) não condiz com setores tão estressados. É muito fácil tributar uma conta de luz, mas não é justo. Não nos termos atuais e nem nos projetos de reforma que estão chegando ao parlamento. Um anel de brilhante é até menos tributado do que a energia elétrica de uma casa humilde.

Temos de tirar uma grossa areia do mundo físico e diluir em um universo muito mais amplo. Estou falando do setor financeiro. Vamos tomar o exemplo de uma camisa com um custo de R$ 100. Antes que o algodão chegue à fiação, ele já trocou de mão 12 vezes no mercado de commodities. Ele foi transportada de um produtor para uma tecelagem utilizando petróleo (este foi transacionado 20 vezes antes de chegar ao posto). A matéria-prima é então transformada por uma máquina movida a eletricidade. Esta energia passou por nove etapas antes de mover aquela máquina. Em resumo: este único produto, uma camisa, está diluído em 180 camadas virtuais. Esses elos compõem a base tributária perfeita, insonegável e de custo zero para arrecadação.

O microimposto, portanto, elimina a grande distorção em que vivemos. Isto é, a divisão entre o Brasil clandestino e o Brasil formal. Este último é que paga a totalidade da conta. E o modelo atual e as propostas de IVA convergem em um ponto: têm poucos ganhadores e muitos perdedores. É hora de inverter essa lógica.

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