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A vez das
fintechs

A concentração do nosso sistema bancário e o spread elevado são problemas que venho apontando faz algum tempo. Esse cenário se tornou tóxico para o livre mercado e o empreendedorismo. Estamos falando de cinco bancos concentrando 85% de todo o mercado nacional. Assim, o custo do dinheiro (empréstimos) é um dos mais altos do mundo. Isso acontece mesmo com a taxa Selic em queda.

Diego Barreto, CFO do iFood e especialista em estratégia, liderança e finanças, tem uma análise para esclarecer esse cenário. “O Brasil foi construído a partir de um modelo que privilegiava o fechamento comercial. Ao se fechar, proporcionou que os impérios empresariais locais construíssem barreiras, que praticamente impediram a competição no país”, afirma ele, também palestrante da Casa do Saber. “Essas empresas cresceram e se tornaram campeões nacionais, algo que matou o empreendedorismo no Brasil.”

Porém, este terreno árido gerou uma nova floresta de oportunidades que atende pelo nome de fintechs, as startups de serviços financeiros. Essas empresas unem tecnologia e finanças com uma estrutura menor e muito menos burocracia. Os juros, assim, são mais baixos, existe mais acesso a crédito, mas sem a perda de tempo de ir a uma agência – algo que os grandes bancos também estão se moldando.

“O Brasil passa por uma grande revolução de oferta”, como bem definiu Diego Barreto. Nosso país tem hoje mais de 500 fintechs. Muitas delas tiveram aportes consideráveis. Nubank, GuiaBolso, Creditas e Stone Pagamentos já são gigantes do setor. Mais do que isso. De acordo com estudo da KPMG e da H2 Ventures, o Brasil colocou três fintechs entre as 100 mais inovadoras do mundo.

A possibilidade de resolver tudo pela tela do celular em tempo real é um atrativo para consumidores e empreendedores. Estamos falando de bons serviços, como investimentos, conta corrente, cartão de crédito, crowfunding e controle de pagamentos. “As fintechs são muito importantes, porque elas podem aumentar a competição e reduzir – e muito – o custo do crédito para quem toma dinheiro emprestado”, analisou o economista e palestrante Ricardo Amorim.

Claro, o custo do dinheiro também tem a ver com todo o contexto da economia. As fintechs não serão uma mágica na vida brasileira. Elas precisam contar com legislações que estimulem a concorrência e até a vinda de investidores estrangeiros. Essas empresas inovadoras são agentes de uma revolução que teremos no Brasil. É como se tivéssemos a “uberização” dos bancos. As grandes instituições estão reagindo e buscando se tornar mais competitivas. O cliente e o empreendedor irão ganhar muito com isso.

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