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A vez da
geração Z

O alfabeto acabou, mas os desafios para as marcas não. Aliás, apenas começaram. A geração Z – pessoas nascidas a partir de 1995 – está chegando às universidades e ao mercado. Eles começam a ter dinheiro no bolso e não aceitam as velhas estratégias de marketing.

Definidos como nascidos digitais, esses jovens estão conectados o tempo todo. Sabem o que querem e não se contentam com pouco. A empresa PHD World Wide produziu um vídeo que viralizou há alguns anos. Nele, pré-adolescentes anunciavam como seria o mundo depois de a sua chegada ao mercado. O testemunhal começa assim: “Se você trabalha com marketing, é preciso melhorar a qualidade do seu jogo. Porque você não viu nada como nós. Vamos comprar e influenciar. Não queremos apenas propaganda. Esperamos conteúdo inteligente e personalizado”.

Eles só estão off-line quando estão dormindo – e olhe lá. O mundo deles sempre foi digital. O que fazer com pessoas interessadas, empreendedoras, engajadas? Certamente, não será apresentando estruturas rígidas de negócio. Muito menos impor produtos com custo alto e que eles não consigam enxergar o benefício. Eles sabem o poder de um simples “unfollow” nos perfis das marcas nas redes sociais. Um simples block destrói marcas do dia para a noite. “Essa geração está preocupada com causas. Querem melhorar o mundo”, disse o professor e palestrante Dado Schneider, em entrevista ao Canal Futura. “Quanto ao consumo, eles não são tão ligados a marcas, como as gerações anteriores. Não estão interessadas em status e consumismo. Eles estão atrelados à ideia de trabalhar e viver de forma harmônica.”

De acordo com Schneider, as marcas têm um problema no futuro. “Essas empresas não vão conseguir se conectar a eles como se conectaram aos antecessores. Porque não buscam compensação no consumo. Isto porque gostam daquilo que fazem. Lazer e trabalho estão cada vez mais misturados.”

Dorte Wimmer, diretor da Retail Institute Scandinavia, foi um dos destaques do painel “O futuro do varejo e o varejo do futuro” no Latam Retail Show. Ela dá as boas-vindas aos consumidores do amanhã. “Tudo está de cabeça para baixo. Para atrair os nativos digitais, as marcas precisam comunicar o consumo com significado. Essa geração dá importância a tudo: tipo de produção, força de trabalho, sustentabilidade, experiência e transparência.”

A consultora de conteúdo digital Alessandra Lippel, por sua vez, tem dados importantes sobre o tema. Em 2020, os jovens da geração Z serão mais de 2,5 bilhões de pessoas. “Eles são um upgrade dos Millenials. São mais pé no chão do que os antecessores, porque viveram o auge da crise de 2008. A tecnologia para eles é uma ferramenta. Não uma obsessão. Estamos falando de  jovens mais pragmáticos e conscientes. Pagam apenas por aquilo que de fato estão usando.”

O desafio para encarar o novíssimo consumidor mal começou. Eles serão a maioria da população com poder de compra. Neste caso, cada empresa deve migrar do produto para a solução. Ainda que as gerações anteriores continuem consumindo, esses nativos digitais vão determinar muitos comportamentos nos hábitos de consumo, nas causas que defendem e até na sobrevivência de grandes empresas.

Destaco com frequência a importância histórica do leitor de código de barras. O mundo de hoje é esse protagonismo do consumidor levado ao extremo. Eles decidem, compartilham, opinam e criticam. Tudo agora. É um mundo híbrido entre físico e digital. É uma revolução fascinante. Todos nós podemos fazer parte dela.

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