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Sam Walton:
o pai do varejo

Se o assunto é empreendedorismo, o americano Sam Walton é um nome obrigatório. Não ligou o nome à pessoa? Ele é o fundador do Walmart e do Sam’s Club, duas das maiores marcas do mundo nos segmentos de varejo e atacado. O Walmart, por exemplo, é a 11ª marca mais valiosa do planeta, segundo a consultoria britânica Brand Finance.

Vamos as números. O Walmart internacional soma 5.900 unidades comerciais em 26 países, com mais de 700 mil colaboradores e 100 milhões de clientes semanais. A companhia registrou crescimento em 20 trimestres seguidos. A previsão é fechar o ano de 2019 com US$ 514 bilhões em vendas, um valor 2,73% maior do que o ano passado. Portanto, o título de maior varejista do mundo não é por acaso.

Na origem de tudo, havia alguém abnegado. Samuel Moore Walton (1918-1992) nasceu no Oklahoma e tem uma história de superação desde muito jovem. Ele ajudou os pais nas despesas domésticas, especialmente durante o período da Grande Depressão. Entregava leite e jornais de casa em casa.

Na época da universidade, Walton já deu os seus primeiros passos no varejo no Des Moines, da J.C. Penney Company, quando ainda era um pequeno lojista. Depois de servir as forças armadas durante a Segunda Guerra Mundial, resolveu dar um jeito na própria vida.

Em 1945, adquiriu a sua primeira loja, graças a US$ 25 mil emprestados pelo seu sogro. Era uma franquia da Ben Franklin, em Newport, Arkansas. Menos de 20 anos depois, chegou a ter 15 unidades da rede, trabalhando em conjunto com seu irmão mais novo, James. Walton se frustrou com a política de gestão da rede, especialmente porque ignorou o seu esforço de expansão nas comunidades rurais.

Era hora levantar voo por conta própria. O primeiro Walmart, então, abriu as portas em 1962, em Rogers, no Arkansas. E o avião de Mr. Walton não parou de subir – aliás, ele realmente pilotava o próprio avião para visar a todas lojas. Em 1976, a companhia já tinha capital aberto e valia US$ 176 milhões. Nos anos 1990, esse valor batia o patamar de US$ 45 bilhões e superava Roebuck & Company e Sears. O Walmart há detinha o título de maior varejista dos EUA.

É claro. Sam Walton foi peça fundamental desse sucesso. Ele reunia uma visão de agressiva dos negócios – os descontos atraíam os clientes, em especial os moradores de áreas rurais. Era também incansável. O seu dia começava 4h30 da manhã. Se os números não o agradavam, não se fazia de rogado. Mudava tudo. Da organização aos rumos das empresas. “Este é um homem que trabalhava muito cedo, tinha calor e charme durante todo o dia, interesse em seus clientes e tratava seus associados bem como pessoas, não apenas como balconistas e vendedores”, contou ao New York Times o consultor de varejo Walter F. Loeb.

Era um fanático por resultados. Mesmo em tempos de recessão, chegou a registrar aumentos de vendas da ordem de 40%. “Sam Walton fundou esta empresa para ajudar as pessoas a economizar”, disse certa vez Craig Herkert, ex-presidente do Walmart para as Américas.

Em 1985, a revista Forbes mostrava Walton como o homem mais rico dos EUA. Se alguém queria irritá-lo, era só mostrar essa revista. “Todo esse tumulto em relação ao patrimônio líquido de alguém é simplesmente estúpido”, dizia ele.

Sam Walton morreu em decorrência de dois tipos de câncer: leucemia e de medula óssea. Deixou esposa, com quem casou em 1943, e quatro filhos: Robson, John, James e Alice. O primeiro foi o sucessor do pai, enquanto o segundo também assumiu funções no grupo até a sua morte, em acidente aéreo, em 2005.

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