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Reed Hastings,
o mago
da Netflix

Você sabe quem é Reed Hastings? Não? Fique tranquilo, você não é o único.

Provavelmente, ele andaria na calçada da avenida Paulista sem ser reconhecido. E isso se repetiria na maioria das cidades do mundo. Porém, esse americano de 58 anos mudou a forma como acessamos e consumimos o nosso entretenimento. É ele a mente por trás da Netflix

No portfólio dessa gigante do streaming, estão sucessos de audiência (se é que ainda podemos usar esse termo) e repercussão. Boa parte dos seus amigos e contatos deve ter comentado com você a genialidade do plano de “Casa de Papel”, a violência de “Narcos”, o xadrez político de “House of Cards” e a reconstrução histórica de “The Crown”. Claro, tem aquele seu amigo que chamou “O Mecanismo” de fake news e você gastou horas discutindo – ainda não consegui assistir a 2º temporada.

Não podemos deixar de fora os filmes produzidos pela própria Netflix, que agora subiram de patamar. “Roma”, por exemplo, foi indicado a 10 categorias do Oscar e venceu três (Melhor Diretor, Filme Estrangeiro e Fotografia).

A Netflix fechou 2018 com 139 milhões de assinantes em 200 países. No Brasil, esse número chegou a 8 milhões. O catálogo tem mais de 1.500 séries de TV e 4 mil de cinema. Pelo menos 1 mil são títulos originais.

Hastings conta uma história saborosa sobre a inspiração que o levou a criar a Netflix. Não se sabe se é verdade ou lenda urbana, mas vale como narrativa. O empreendedor conta que teve a ideia que gerou o sucesso da Netflix quando foi obrigado a pagar uma multa por atrasar a devolução de uma fita VHS do filme “Apollo 13”. Teve de tirar do bolso US$ 40 e nem conseguiu encontrá-la. “É́ uma história divertida. Prende a atenção das pessoas”, contou.

A chave de Hastings vai muito além da sua formação de Stanford. Sempre escutou as pessoas. É necessário, segundo ele, conversar e aprender com elas. Em 1991, fundou sua primeira empresa, a Pure Software. A venda dessa companhia proporcionou o recursos para iniciar o projeto da Netflix, ao lado do amigo Marc Randolph, outro cofundador da futura gigante do streaming. Em outras palavras, ele encontrou um propósito para aquela que viria a ser a sua futura empresa. Ele assumiu o papel do cliente.

A Netflix foi moldada por tentativa e erro. Ele costuma dizer que “gosta de errar” e repete uma célebre frase de Albert Einstein: “Quem nunca cometeu um erro jamais tentou nada de novo”. Na gestão de sua empresa, Hastings procura entender os seus subordinados, não controlá-los. Destaca também o valor do foco e não admite produtos medianos. “É melhor fazer um produto bom do que dois medíocres”, sentencia.

Não se pode falar em streaming sem citar Netflix. Streaming e Netflix são praticamente sinônimos. A empresa de Hastings indicou o caminho. Outros gigantes da novíssima economia, como Amazon e Apple, já têm os seus serviços. Agora é a vez de antigos parceiros da Netflix também buscarem este filão: Warner e Disney. Personagens infantis, super-heróis, franquias cinematográficas bilionárias e séries de TV vão sair do catálogo de Hastings e se tornarão concorrentes.

Este empreendedor não parece tão preocupado. Até porque a originalidade de seu portfólio continua atraindo espectadores. E até abalou Hollywood. Hastings instiga a concorrência. E todos nós temos a ganhar com isso.

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