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A paixão
de Jeff Bezos

Jeff Bezos é daqueles empreendedores que parece estar sempre olhando muito além dos demais. Ele tem muitas coisas no seu target: e-commerce, lojas físicas, serviço de streamming, mídia, turismo espacial. Qual será o seu próximo triunfo? Difícil saber, mas paixão é o seu combustível.

Não é exagero dizer que Bezos representa para o varejo um “antes” e um “depois”. Empresa que criou em sua garagem, em 1993, a Amazon fez tremer o mercado de livros. Ele deixou um ótimo emprego no mercado financeiro, tanto que chegou a vice-presidente da corretora D.E. Shaw, e resolveu apostar na internet, um mercado que chegou a crescer 2.300% na época. Bezos garante, porém, que não foi esse motivo de sua escolha. “Houve uma corrida do ouro no início da internet. Só que isso geralmente não dá certo. É preciso fazer alguma coisa que você seja apaixonado por ela”, afirmou Bezos.

Bezos venceu com a Amazon. Faz muito tempo que não vende apenas livros. Tem de tudo lá, inclusive serviços para casa. A criatividade, a velocidade e a experiência do cliente são pilares dessa organização. É o que caso da loja física da companhia, a AmazonGO. Trata-se de um lugar no qual o consumidor não precisa passar na fila do caixa. Basta pegar o produto na prateleira e sair. A conta chega ao seu cartão de crédito por meio de um aplicativo que identifica a sua entrada na loja e rastreia o produto que vai na sacola graças à geolocalização. A ideia é ter 3.000 dessas lojas de conveniência até 2021. Isto é prova que ele não brinca em serviço. “Nossos clientes são leais até que apareça alguém que lhes ofereça um serviço melhor.”

Outro passo foi uma loja que oferece somente os produtos mais bem avaliados pelo e-commerce. A Amazon 4-star abriu as portas em Nova York com a promessa de apresentar itens que “certamente os clientes irão adorar”. Livros, brinquedos, equipamentos eletrônicos, jogos e peças para casa formam esta seleção.

Em sua estrada para o futuro, Bezos tem outros empreendimentos que fazem dele um realizador de sonhos. A assistente virtual Alexa é um desses exemplos. Essa faz-tudo digital nasceu de um projeto fracassado, um celular deveria rivalizar com Apple e Samsung. O smartphone não foi adiante. A Alexa sim. “Se você não consegue ouvir críticas, então é melhor não perder tempo tentando fazer algo novo ou interessante”, sentencia.

Na rampa de lançamento deste sonhador, também está a sua empresa especial, a Blue Origin. Na infância, ele foi inspirado pelas missões Apollo e pelas aventuras da nave Enterprise, da série Star Trek. Seus objetivos? Promover o turismo especial e levar a indústria pesada para a lua. Ao menos da primeira meta ele não está longe. O foguete New Shepard teve testes bem-sucedidos de lançamentos e pousos da cápsula e do propulsor.

Com uma história dessas, o fato de Bezos ser o homem mais rico do mundo se torna um detalhe. A sua fortuna pessoal de US$ 115 bilhões e a Amazon avaliada em US$ 1 trilhão são conseqüências muito felizes. A causa é um empreendedor que não se dá ao direito de trabalhar sem paixão.

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