Artigos

Os quatro
cavaleiros

Quem manda no mundo hoje? Certamente, não é a ONU. Ou qualquer governo ou bloco econômico. O petróleo comandou o planeta. A aliança conhecida como as sete irmãs ditava os rumos da indústria, do mercado e das economias. As montadoras tiveram seu período de predomínio. No início da era da internet, Microsoft, IBM e Yahoo reinavam. Na tecnologia mobile, Nokia e Blackberry tinham mais do que o marketshare. Eram referências.

Tudo isso ficou para trás. As energias renováveis tendem a dominar as próximas décadas. As montadoras precisam pensar em mobilidade. Não apenas em vender carros. Já a tecnologia da informação viveu uma troca de guarda. IBM e Yahoo continuam fortes, mas se tornaram coadjuvantes. Nokia e Blackberry flertaram com extinção. Já a Microsoft enfrentou momentos de declínio, até recuperar o protagonismo recentemente.

O mundo de hoje, porém, está nas mãos, nas telas e nos sistemas de quatro cavaleiros, como definiu Scott Galloway: Google, Apple, Amazon e Facebook. Ele é fundador da consultoria L2, especializada em varejo e marcas. Além disso, é professor de Marketing – NYU Stern School of Business e membro do conselho do The New York Times.

Na visão de Galloway, as lojas físicas vão continuar por um período ainda considerável. Porém, os clientes irão investir mais experiências do que em produtos. “Neste setor, teremos menos campeões, com lucros maiores. É a vitória do fast-fashion.”

O intelectual já previa que a Amazon seria a primeira empresa a ser avaliada em US$ 1 trilhão. De acordo com o seu histórico de compras, a empresa vai mandar para os clientes uma caixa com tudo o que gosta. Daí o possível comprador devolve o que não precisa. Além disso, tem o Alexa, o dispositivo que entende comandos de voz.

Na sequência dos cavaleiros está a Apple. Com a criação de mais de 500 templos da marca, a empresa tomou uma de suas melhores decisões para agregar valor. As pessoas não vão mais às lojas físicas pelo MacBook ou iPhone, e sim pela assistência, pelas pessoas, pela oportunidade de tocar e testar o produto antes de comprar.

O Facebook é o outro pilar da economia mundial. Tem mais seguidores do que qualquer religião. “Facebook is love”, diz o conferencista. “Temos necessidade de ser amados e estar conectados.” A empresa conseguiu atrair grandes talentos. A aquisição do Instagram foi uma grande cartada nesse jogo.

O último dos cavaleiros é o Google. “Google is God”. É a definição de Galloway. Para se ter uma ideia, uma em cada cinco perguntas feitas no Google nunca foram feitas verbalmente por um ser humano na Terra. É uma definição difícil até de se imaginar. O Google é como se fosse a entidade divina onisciente e onipresente. Será onipotente? A empresa trabalha inclusive com mobilidade, como o seu carro autônomo.

Teremos quinto cavaleiro? Galloway apresenta vários candidatos: Uber, Netflix e Airbnb. Nesse universo de algoritmos e inteligência artificial, estamos eliminando empregos muito mais rápido do que criando. Está aí o grande desafio. Em um mercado em crescente automação, os profissionais terão de ser mais preparados e entregar a máxima eficiência. Para empresas e profissionais, esse é caminho do protagonismo da nova economia.

«   Voltar