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O capitalismo
consciente

Mais do que um livro, o “Capitalismo Consciente” é um movimento. O subtítulo da obra de John Mackey e Raj Sisodia fala por si: “Como libertar o espírito heroico dos negócios”. Esse heroísmo passa longe de discursos demagógicos e ações temerárias nas empresas. Ao contrário, estamos falando de um movimento que não demoniza o lucro, mas o coloca como parte de um propósito. Não como único objetivo. “Acreditamos que as empresas devem liderar o caminho para elevar a consciência do mundo”, escreveram John Mackey e Raj Sisodia no seu livro editado no Brasil pela Editora HSM.

É importante destacar uma fala do empresário Thomas Eckschmidt, ex-diretor geral do Instituto do Capitalismo Consciente Brasil, entidade sem fins lucrativos que apresenta as ideias de Mackey e Sisodia. Em palestra do TEDx, em 2014, o empreendedor disse: “Conseguimos quebrar esse paradigma tradicional do capitalismo: alguém vence e alguém perde. Mudamos isso ao trazer a cadeia produtiva em cima do mesmo propósito”. Segundo ele, esse novo modelo permite entender onde existe a perda. “Defendemos a nossa crença: o caminho do resultado passa por todos.”

Eckschmidt lembra ainda o papel do investidor. É aquele personagem que coloca dinheiro primeiro e vai tirar depois – no final do processo. “Eles fazem muita pressão para sair dinheiro do negócio. Porém, os stakeholders perceberam que a força da cadeia está no seu elo mais fraco. Se quebrar, todos perdem.” Por isso, o livro – e o movimento – está embasado em quatro pilares: integração de stakeholders, propósito, cultura de gestão e liderança consciente.

A obra diferencia, aliás, os tipos de líderes: militar, mercenário e o missionário. Certamente, eu me identifico mais com o missionário. A função de um líder não é ser apenas o guardião da última linha. É ser o guardião do propósito. É o caso da Riachuelo. Temos o propósito de incluir por meio da moda. Nesse ponto, posso dizer que incluo também o objetivo maior.  A liderança corporativa deve evidenciar os rumos da empresa. Convencer os seus liderados do porquê da existência da empresa. Nessa visão holística da companhia, conseguimos também criar uma imagem sólida. Imagem esta que os cliente acreditam e “compram”. Assim, fechamos a cadeia em que todos ganham.

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