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Edmund Burke

Tivemos uma onda recente. E foi uma boa onda: a busca de autores liberais e conservadores. Passou muito da hora de encerrarmos a hegemonia cultural dos intelectuais de esquerda. É mais do que justo, termos outras perspectivas e visões de mundo. Nesse contexto, é importante destacar o nome do escritor e político irlandês Edmund Burke (1729-97).

Como bem lembrou o economista Joel Pinheiro da Fonseca, em artigo publicado no caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo, Burke é considerado pai do conservadorismo e continua atual. “Burke acreditava no poder da sociedade humana de instilar nos homens bons sentimentos e virtudes, e de construir espaços de sociabilidade e liberdade.”.

Nessa boa missão de descobrir Burke, o primeiro caminho é degustar o livro “Edmund Burke. Redescobrindo um Gênio”, escrita pelo americano Kirk Russell. A obra foi originalmente lançada em 1967, mas a tradução da editora É Realizações lançada em 2016 já vem repercutindo com o leitor brasileiro. Em uma biografia completa da vida, do pensamento e da vida de Burke, Kirk apresenta o intelectual irlandês como “o primeiro estadista a reconhecer que não há resposta coerente ao iluminismo além do conservadorismo social e político”.

Em tom quase profético, Burke condenou os rumos da Revolução Francesa e o seu banho de sangue. Ele criticou a ignorância da brutalidade em seu clássico “Reflexos Sobre a Revolução Francesa”. Ao mesmo tempo, apoiou a reivindicações das colônias inglesas. Contraditório? De forma alguma, Burke estava ao lado da moderação e dos freios e contrapesos da democracia.

Não por acaso, Burke é considerado o pensador mais a direita que um liberal pode ser. Os excessos do liberalismo geraram o movimento conservador, que defendem as nações e os devidos papéis do Estado. “Temos a livre iniciativa, entendo que as pessoas têm que ter todas as escolhas, mas o Estado tem que existir para garantir que haja essa liberdade”, sintetizou o irlandês. De acordo com Burke, alguns aspectos da vida social precisam da gestão do Estado. Isso garante uma sociedade mais saudável, que garante o bem para o indivíduo. Estabelecemos aí uma postura do conservador liberal.

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