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A janela
do futuro

O que você quer ser quando crescer? Passou da hora de o Brasil responder a essa pergunta muito a sério. Ao não tratar a educação com a devida atenção, nosso país se conforma em ser uma nação imatura. Um eterno adolescente.

A formação das crianças e adolescentes é fundamental para o nosso amadurecimento como sociedade. Gerações formadas precariamente não exercem a sua cidadania, têm baixa produtividade e não conquistam a sua prosperidade.

Pelos números do IBGE, o Brasil tem pelo menos 11,8 milhões de analfabetos. São pelo menos 7,2% da população com mais de 15 anos que não consegue ler e escrever um bilhete simples.

O acesso ao ensino superior é outro dado preocupante. Não passam de 15% os estudantes brasileiros entre 25 e 34 anos que cursam universidade. A média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é de 37%. Estamos abaixo, ainda, de outros países sul-americanos, como Argentina, Chile e Colômbia.

Nos rankings internacionais de matemática, leitura e ciências, nosso país continua com índices decepcionantes. Temos ainda altas taxas de evasão escolar (11% no ensino médio), falta de conexão entre os níveis de ensino e escolas precárias em regiões carentes.

A pior parte deste panorama é se deparar com um orçamento federal de R$ 312 bilhões em 2018. Os recursos, infelizmente, estão indo para quem tem força política. Não para os alunos.

Reconhecido o problema, temos de estabelecer prioridades. O analfabetismo é uma delas. É preciso colocar em prática uma política de alfabetização em massa e zerar esses índices.

Da mesma forma, é necessário fazer um mapeamento das escolas mais precárias e direcionar recursos, de maneira emergencial, para elas. Nunca é demais repetir. Os recursos existem. Eles precisam chegar lá na ponta.

Uma política nacional de Educação Infantil é outro foco importante. As prefeituras não estão dando conta disso, porque faltam recursos. Neste ponto, ajudamos as famílias, que se sentiriam mais seguras em deixar seus filhos nas creches e retornarem ao mercado de trabalho.

Para completar este leque de soluções, não podemos perder de vista um maior investimento em ensino médio profissionalizante, adequação das políticas de crédito estudantil (voucher) e estabelecer escolas charter (escolas públicas administradas de maneira privada). Com tudo isso, a valorização do professor de ensino fundamental precisa estar no coração desse projeto de país a partir da educação. Não é só a universidade que merece atenção. É a base que está ruim e isso contamina todo o resto.

Além disso, a educação brasileira precisa entrar no século 21. A inovação é a palavra de ordem para lidar com um mundo globalizado, conectado e cada vez mais voltado para a inteligência artificial. Quem não estiver nessa sintonia fica para trás.

Não tem mágica. Não há máquina de dinheiro. É preciso mostrar resultados com os recursos que temos. Um Brasil civilizado e próspero surgirá apenas se cultivarmos muito bem as nossas raízes na educação. Deixaremos para trás, finalmente, o país do futuro e viveremos em uma nação de prosperidade.

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