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Índia:
um novo
caminho

Agora é a vez de falarmos da Índia. A exemplo da China, este gigante asiático é superpopuloso e tem crescimento econômico vigoroso. Acreditem, eles têm muito a nos ensinar em termos de inovação e liberdade econômica.

No ranking do Fundo Monetário Internacional, a Índia tem o 7º maior PIB do mundo e está muito próxima à França e ao Reino Unido (seu antigo colonizador). Nessa lista, o Brasil está em 9º, com uma economia 40% menor que a indiana. Estamos falando de um país de mais 1,3 bilhão de habitantes e com 369 milhões pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza – isso significa um Brasil e meio.

Porém, é importante fazer outra leitura importante. Há 14 anos, o número de miseráveis era de 640 milhões. Isto é, pelo menos 271 milhões deixaram o patamar extremo. Nesse mesmo período, a eletrificação saltou de 70% para 93%. Em relação ao saneamento básico, os percentuais são até difíceis de acreditar. O país tinha 40% das pessoas com acesso a banheiro doméstico. Em julho de 2019, o Ministério da Água do Saneamento garante que esse percentual subiu para 99,45%. Ainda que esses dados possam ser maquiados – como retratou a Folha de S.Paulo –, o contraste é flagrante.

A economia indiana consegue apresentar boa diversificação. Vai da agricultura tradicional e artesanato até agronegócio moderno e amplo parque industrial. O país soube usar a seu favor o fato de o inglês ser uma de suas línguas oficiais (o hindi é a outra). A Índia se tornou uma referência em serviços de tecnologia, software e terceirização.

De acordo com a Heritage Foundation, o país asiático é 129º colocado do seu ranking de liberdade econômica. Não está entre os primeiros, mas ainda assim está mais de 20 posições acima do Brasil. “As medidas de liberalização econômica que começaram no início da década de 1990, incluindo a desregulamentação industrial, a privatização de empresas estatais e a redução dos controles sobre comércio exterior e investimento, aceleraram o crescimento. Corrupção, infraestrutura subdesenvolvida, ambiente regulatório restritivo e oneroso e falta de gestão financeira e orçamentária continuam minando o desenvolvimento geral”, apontou o relatório da instituição.

No ranking do Doing Business, do Banco Mundial, a Índia é a 77ª colocada, contra 109º do Brasil. O relatório afirma: “A Índia também se concentrou em simplificar os processos de negócios. O país implementou várias iniciativas que melhoraram a eficiência dos serviços comércio exterior”. Nessa avaliação, é importante destacar também o caminho da Índia em direção a simplificar processos e a melhorar o fluxo de documentos eletrônicos.

Essa rota da digitalização está fazendo toda a diferença. Eles querem se transformar em uma nação paperless, cashless e presenceless. É possível, inclusive, assinar contratos sem estar presente. Usa-se a biometria. A tendência é que os documentos sejam todos digitalizados. O uso moeda em papel caiu drasticamente. Ao mesmo tempo, as transações online se disseminaram, especialmente graças ao incremento de bancos digitais e ecommerce. Toda uma geração de nativos digitais vem sendo beneficiada por esse novo ambiente financeiro.

Um país sem papel é um lugar com menos burocracia. É o próprio governo que incentiva o uso de processos digitais para agências, empresas e demais organizações. Isso se refletiu em um número significativo. Nada menos que 300 milhões de contas bancárias foram abertas em dez anos. Isso tem muito a ver também com o novo cartão Aadhaar (um cartão de identificação nacional criado em 2009).

Não bastasse toda essa vocação digital, e economia indiana cresce de forma robusta desde os anos 1990. Os índices variam entre 6% e 8%. Aqui, a metade disso já é (seria) motivo de festa. Ainda que a pobreza seja muito chocante na Índia, é preciso destacar a forma como eles estão atacando a miséria por meio da geração de riqueza. E estamos falando de um país com uma população quase sete vezes maior que a do Brasil e com menos da metade do nosso território. Eles encararam grandes mazelas e estão colocando seu país no rumo.

E nós? Quando vamos acordar?

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