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Em busca
de um lar

Uma das minhas ideias de felicidade é poder ter um lugar para ir trabalhar e uma casa para retornar. É algo muito simples. Porém, isso ainda é um drama no Brasil. A ausência de emprego e habitação calam fundo ao povo brasileiro.

Não se trata apenas desse desejo da casa própria, sempre tão legítimo. A questão é que temos um país acostumado a governos que fornecem tudo, inclusive casa. Toda essa operação fica muito mais cara e, muitas vezes, gera corrupção.

Tudo isso é fruto do relacionamento estatal com as grandes construtoras, que já têm acesso a grandes financiamentos. Aí está parte do erro. O governo precisa mesmo é subsidiar os pequenos construtores. Assim, conseguimos movimentar a economia, reduzir os preços e atingir quem realmente precisa.

Quando se atinge um déficit habitacional na casa dos milhões, surge muita gente querendo ajudar. Ou ao menos fazendo de conta. É o caso dos ditos movimentos sociais. Invadem uma área, ganham o direito à propriedade, vendem e depois partem para outra invasão. É o mesmo modelo utilizado em propriedades rurais. Eles atuam onde o Estado está ausente – e lucram com isso.

Dá muita popularidade oferecer casas. Muitos aplausos e votos animam os políticos. Mas estou aqui para apresentar algo diferente. É o subsídio nas áreas que precisamos. Não necessariamente, precisamos atuar na construção de grandes conjuntos habitacionais.

Os focos podem ser outros. Primeiro, o subsídio aos aluguéis, porque boa parte do nosso déficit habitacional acaba vindo dos altos preços cobrados nessa modalidade. Outro ponto é incentivar as pequenas construtoras. São justamente aquelas que não têm acesso a grandes financiamentos dos bancos – o que os gigantes do setor sempre conseguem. E, por fim, auxiliar – também na modalidade do subsídio – as reformas nos imóveis mais antigos. Esses três pontos são alternativas para empregar o dinheiro público com mais eficiência, com menos desperdício.

Todas essas medidas precisam ser um plano nacional para ser feito em sintonia com os municípios. É lá que a vida acontece. Não adianta alguém sentado na Presidência distribuindo escrituras para se sentir bem com a sua consciência e ganhar mais votos na próxima eleição.

A atuação do Estado tem de ser injetar recursos na economia. Assim, todos os setores se mobilizam. É o ponto onde emprego e moradia se encontram. Com essa ativação inteligente dos agentes econômicos, podemos iniciar um círculo virtuoso de desenvolvimento. Assim, todos podem ter a satisfação de ir trabalhar e ter um lar para retornar.

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