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Desisti de disputar
a presidência, mas
o projeto segue

Caro leitor, cara leitora, hoje tomo a liberdade de me dirigir a você não por meio de um artigo, como costumo fazer. Quis lhe escrever esta carta. É um momento especial para mim, que faço questão de compartilhar.

Como você já deve estar sabendo, anunciei minha desistência de concorrer à Presidência. Não vou esconder minha frustração. Mas a sensação dominante é a do dever cumprido, como empresário e cidadão.

Se pudesse voltar atrás no tempo, não faria nada diferente. Saí com a firme convicção de que ter feito a campanha foi uma decisão acertada.

Quem frequenta este espaço que ocupo com prazer e alegria sabe que sou um duro crítico do empresário-moita, aquele que se acomoda e se acovarda, preferindo não se dar ao trabalho de contribuir para resolver os problemas do Brasil.

Esse não sou eu! Jamais teria paz de consciência se tivesse me omitido neste momento crucial do Brasil.
As inúmeras e entusiasmadas manifestações de apoio que recebi nos últimos meses me dão a certeza de que a jornada não foi em vão. Tenho razões para acreditar que inspirei aqueles que produzem a serem protagonistas de uma luta política que não se esgota nesta eleição. Tenho certeza também de que ajudei a consolidar uma agenda voltada à modernização do Brasil.

A luta por um Brasil mais justo e próspero pode ter várias formas. Mesmo abrindo mão da candidatura, vou continuar lutando por um país melhor.

A Presidência nunca foi um projeto pessoal. O poder dissociado de uma concepção de país mais livre e democrático não me seduz. A Presidência seria um meio para alcançá-lo, não um fim.

Nosso projeto, portanto, continua de pé, mais urgente e necessário do que nunca. Tenho observado o Brasil a partir do camarote privilegiado do comércio varejista, um setor democrático por excelência e por natureza. Percebo que falta nas prateleiras o serviço público de qualidade exigido pela população.

Temos que construir esse Estado servidor, um Estado que devolva à dona Maria, em serviços dignos, o que ela paga em impostos elevados.

Tenho no horizonte um Brasil verdadeiramente liberal, aquele vislumbrado no movimento Brasil 200, que me orgulho de ter fundado. É dessa trincheira que continuarei combatendo o bom combate.

Por isso, a desistência em disputar a Presidência não significa o fim de uma luta. Uma campanha política é uma corrida de 100 metros. Uma pessoa preocupada com o futuro do Brasil tem que ter a perspectiva de uma maratona.

O Brasil 200, como você sabe, é uma referência aos 200 anos de independência do Brasil, a serem comemorados em 2022, por ocasião do término do mandato do próximo presidente. Faço votos de que, nesse bicentenário que se aproxima, a liberdade, individual e econômica —uma ideia associada à noção de independência— não seja apenas uma expressão esvaziada de seu sentido mais profundo.

No fim desta etapa da jornada, quero agradecer a você que vem acompanhado neste espaço as ideias que trago para o debate. E espero poder continuar contando com o seu interesse.

Um abraço,
Flávio

*Artigo publicado na Folha de São Paulo em 23 de julho de 2018. Link para a a versão online. Leia aqui.

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