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Reed Hastings,
o mago
da Netflix

Você sabe quem é Reed Hastings? Não? Fique tranquilo, você não é o único.

Provavelmente, ele andaria na calçada da avenida Paulista sem ser reconhecido. E isso se repetiria na maioria das cidades do mundo. Porém, esse americano de 58 anos mudou a forma como acessamos e consumimos o nosso entretenimento. É ele a mente por trás da Netflix

No portfólio dessa gigante do streaming, estão sucessos de audiência (se é que ainda podemos usar esse termo) e repercussão. Boa parte dos seus amigos e contatos deve ter comentado com você a genialidade do plano de “Casa de Papel”, a violência de “Narcos”, o xadrez político de “House of Cards” e a reconstrução histórica de “The Crown”. Claro, tem aquele seu amigo que chamou “O Mecanismo” de fake news e você gastou horas discutindo – ainda não consegui assistir a 2º temporada.

Não podemos deixar de fora os filmes produzidos pela própria Netflix, que agora subiram de patamar. “Roma”, por exemplo, foi indicado a 10 categorias do Oscar e venceu três (Melhor Diretor, Filme Estrangeiro e Fotografia).

A Netflix fechou 2018 com 139 milhões de assinantes em 200 países. No Brasil, esse número chegou a 8 milhões. O catálogo tem mais de 1.500 séries de TV e 4 mil de cinema. Pelo menos 1 mil são títulos originais.

Hastings conta uma história saborosa sobre a inspiração que o levou a criar a Netflix. Não se sabe se é verdade ou lenda urbana, mas vale como narrativa. O empreendedor conta que teve a ideia que gerou o sucesso da Netflix quando foi obrigado a pagar uma multa por atrasar a devolução de uma fita VHS do filme “Apollo 13”. Teve de tirar do bolso US$ 40 e nem conseguiu encontrá-la. “É́ uma história divertida. Prende a atenção das pessoas”, contou.

A chave de Hastings vai muito além da sua formação de Stanford. Sempre escutou as pessoas. É necessário, segundo ele, conversar e aprender com elas. Em 1991, fundou sua primeira empresa, a Pure Software. A venda dessa companhia proporcionou o recursos para iniciar o projeto da Netflix, ao lado do amigo Marc Randolph, outro cofundador da futura gigante do streaming. Em outras palavras, ele encontrou um propósito para aquela que viria a ser a sua futura empresa. Ele assumiu o papel do cliente.

A Netflix foi moldada por tentativa e erro. Ele costuma dizer que “gosta de errar” e repete uma célebre frase de Albert Einstein: “Quem nunca cometeu um erro jamais tentou nada de novo”. Na gestão de sua empresa, Hastings procura entender os seus subordinados, não controlá-los. Destaca também o valor do foco e não admite produtos medianos. “É melhor fazer um produto bom do que dois medíocres”, sentencia.

Não se pode falar em streaming sem citar Netflix. Streaming e Netflix são praticamente sinônimos. A empresa de Hastings indicou o caminho. Outros gigantes da novíssima economia, como Amazon e Apple, já têm os seus serviços. Agora é a vez de antigos parceiros da Netflix também buscarem este filão: Warner e Disney. Personagens infantis, super-heróis, franquias cinematográficas bilionárias e séries de TV vão sair do catálogo de Hastings e se tornarão concorrentes.

Este empreendedor não parece tão preocupado. Até porque a originalidade de seu portfólio continua atraindo espectadores. E até abalou Hollywood. Hastings instiga a concorrência. E todos nós temos a ganhar com isso.

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Grow, o gigante
da micromobilidade

As bicicletas e patinetes estão tomando as ruas das principais cidades da América Latina.  Para isso, o mercado da micromobilidade ganhou uma gigante, a Grow Mobility Inc., união da brasileira Yellow e da mexicana Grin.  A primeira é a startup líder no compartilhamento de bicicletas sem estação e patinetes elétricos. A segunda é a número 1 da América Latina no segmento de patinetes.

Essa empresa reúne 1,1 mil funcionários, conta com 135 mil bicicletas e patinetes e já realizou 2,7 milhões de viagens. No mapa deles estão 27 cidades em sete países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Uruguai). Um mapa, aliás, que não para de se expandir. Cidades médias brasileiras vão entrar no do radar de atuação da Grow em breve. Além delas, outra startup latino-americana, a Rappi, é uma forte parceira. Os 20 milhões de usuário da Rappi podem desbloquear bicicletas e patinetes. “A Grow manterá e ampliará a operação de bicicletas sem estações e patinetes da Grin e da Yellow, além de expandir para novos países no continente”, afirmou o comunicado de fusão das duas empresas. Jonathan Lewy, cofundador da Grin e presidente do conselho da Grow Mobility Inc., definiu bem a missão da nova companhia: “Estamos empolgados em melhorar os serviços de infraestrutura e impulsionar a atividade econômica em toda a nossa região.”

A possível concorrência dos americanos abriu o olho das duas empresas para uma união. Ganhar musculatura é fundamental para encarar players globais. A 99, que foi criada por Ariel Lambrecht (um dos fundadores da Yellow), está nas mãos dos chineses e cogitava entrar no mercado de patinetes no Brasil. Desistiu, por enquanto. “Temos muita sorte em reunir duas equipes experientes e bem-sucedidas com profundo conhecimento de mobilidade urbana e das necessidades dos clientes que atendemos”, disse Ariel, atual diretor global de produtos da companhia.

A demanda por transporte nos centros urbanos buscou desatar o nó do trânsito. Algumas montadoras, por exemplo, se deram conta que não vendem automóveis, mas mobilidade. É o que o cliente quer. Sempre a visão do cliente tem de estar no centro das discussões. Terreno de atuação da Grow, as soluções de micromobilidade precisam dar fluidez e rapidez aos deslocamentos, sem deixar de lado o preço. Os custos competitivos têm de ser também um incentivo para que o cidadão deixe o carro em casa. “A demanda por esses serviços é enorme e, combinando forças e recursos, poderemos nos mover mais rapidamente para atender mais usuários”, comentou Sergio Romo, cofundador da Grin e CEO Global da Grow.

O desafio da segurança é o próximo obstáculo a ser superado pela gigante latino-americana. Acidentes com patinetes estão tirando o sono da empresa e das prefeituras. É um mundo novo. Assim como o Uber, a Grow está mudando a forma como “consumimos” mobilidade. Estamos trocando as rodas do futuro. E ele está em movimento.

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Empregos do
futuro:
A mudança é a
única certeza

O que vou fazer da minha vida agora? Por que o meu emprego vai sumir? As perguntas angustiadas são frequentes. O medo é compreensível, porque as pessoas percebem com mais facilidade as funções que estão sumindo do que as profissões do futuro.

O tema emprego será constante neste espaço. Não poderia ser diferente. É uma das maiores angústias das pessoas. Talvez a maior. Muitas profissões irão sumir. Outras tantas vão surgir, como já mencionei em artigos anteriores.

Não estamos falando apenas de mudanças em profissões com baixa instrução. Carreiras ligadas ao direito e à contabilidade já estão se transformando. Pode ser que demore muito para que um robô substitua o seu advogado e contador. Ou talvez isso nem aconteça. Mesmo assim, uma inteligência artificial pode ajudar muito nessas questões. É o caso de “Ross”, advogado virtual desenvolvido pela Universidade de Toronto.

E não podemos deixar de fora o Watson, projeto IBM que reúne deep learning, inteligência artificial e supercomputadores. A plataforma já é utilizada como assistente de voz, auxílio na área de saúde, reconhecimento visual e um número de atividades difícil de calcular.

Aqui vai outro cenário. Nos EUA, 8% das pessoas estão trabalhando dirigindo algum veículo. Esses empregos estão com os dias contados. São motoristas profissionais de táxi, ambulância, caminhão, por exemplo. E 3% dos trabalhadores são operadores de caixa. Eles também não devem durar muito.

É de dar medo, mas quero propor um exercício. Vamos voltar 100 anos. Metade da população economicamente ativa estava atuando na agricultura. Todo mundo ficaria apavorado se alguém soubesse que a agricultura seria mecanizada e que iria aumentar a atividade brutalmente. Com isso, um percentual muito pequeno das pessoas iria se envolver com o setor. Todos ficariam, literalmente, sem chão.

De volta aos dias de hoje. Quem poderia imaginar que teríamos tantos profissionais ligados ao mercado de pets? Existe muita gente que trabalha com hotéis para cachorros e tantos outros mimos para os animais de estimação.

Nem é preciso usar demais a imaginação. Mais e mais estudos apresentam profissões do futuro. Você pode trabalhar com big data, edge computing, negócios com inteligência artificial e até realidade aumentada, lojas virtuais e drones. Esses universos já são palpáveis.

Existem visões mais sombrias. O historiador Yuval Harari – da trilogia Homo Sapiens, Homo Deus e 21 lições para o século 21 – tem uma visão bem pessimista. Ele fala não apenas de desempregados, mas de “inimpregáveis”. As pessoas não seriam sequer exploradas, mas irrelevantes.

Por outro lado, o escritor Peter Diamandis tem uma visão mais otimista. Ele exalta os novos tempos: “As pessoas não têm ideia do quão rápido o mundo está mudando. A convergência de tecnologias está transformando já nesta década. Temos de surfar no topo desse tsunami e não ser engolido por ele”. O escritor lembra que, para 2023, a previsão é de o crowdfounding movimente US$ 300 bilhões. Isto é, as pessoas que têm uma ideia que ajude a vida dos outros irão cada vez mais atrair o investimento individual e espontâneo.

Não adianta querer parar a história. Ela vai seguir o seu curso. Cada vez mais as ideias serão valorizadas. Cada vez mais novas profissões irão surgir. Não fique velando o seu antigo crachá. É preciso ser empreendedor na sua própria carreira. Porque o futuro já virou presente.

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O manual
do século 21

O livro “21 lições para o século 21”, de Yuval Noah Harari, apresenta possibilidades para a nossa sociedade sobreviver aos desafios do presente e até do futuro. O novo livro completa uma trilogia (não necessariamente vai parar aí) com “Homo Sapiens” e “Homo Deus”.

Primeira obra do escritor israelense de 43 anos, “Sapiens” teve mais de 1 milhão de unidades vendidas e tratou da história da humanidade. O seu sucessor, “Homo Deus”, aventurou-se pelo futuro. “No meu primeiro livro, explorei o nosso passado, examinando um macaco insignificante que se tornou dominante no planeta Terra”, contou o autor em um vídeo veiculado no Brasil pela editora Companhia das Letras.”No segundo, explorei o futuro a longo prazo da vida humana, refletindo como podem nos tornar deuses e qual pode ser o destino final da inteligência e da consciência.”

O novo livro se concentra no hoje e no futuro a curto prazo. “Num mundo inundado por informações irrelevantes, clareza é poder. E a censura não funciona bloqueando o fluxo de informações, e sim inundando as pessoas com desinformação e distrações”, continua Harari. Então ele questiona: “O que está realmente acontecendo agora? Quais são os maiores desafios e escolhas dos dias de hoje? Em que deveríamos prestar atenção?”. As respostas são valiosas para cada um de nós. Mas pouca gente pode se dar ao luxo de fazê-las.

As pessoas precisam trabalhar, cuidar de seus idosos e crianças. É preciso alimentá-los, vesti-los. Garantir o sustento. “Infelizmente, a história não perdoa. Se o futuro da humanidade for decidido na sua ausência, você não estará livre das consequências. Isto é muito injusto, mas quem disse que a história é justa?”, sentencia o historiador.

Para o escritor, os desafios da humanidade podem ser resumidos em três: a guerra nuclear, as mudanças climáticas e as tecnologias disruptivas. Nesse contexto, o Harari considera vital para a própria vida na Terra o bom uso da Inteligência Artificial e da biotecnologia.

Vejam este trecho do capítulo sobre Desilusão: “Os computadores já tornaram o sistema financeiro tão complicado que poucos humanos são capazes de entendê‑lo. Com a evolução da IA (inteligência artificial) talvez logo cheguemos a um ponto em que as finanças não farão sentido nenhum para os humanos”.

Como bem define o autor, o livro não vai produzir comida para ninguém. É, na verdade, uma forma de trazer mais gente para o nosso debate. Esta é uma discussão que mais e mais gente tem que participar. Porque o futuro já chegou. E não queremos ser apenas passageiros dele.

#inteligenciaartificial #biotecnologia #história #YuvalNoahHarari #HomoSapiens #HomoDeus #21lições

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O nome da vez:
Katrina Lake

Em meu artigo a respeito do NRF 2019, já citei uma empresa que subiu um degrau na evolução do ecommerce. É a Stitch Fix, uma consultoria digital de estilo que já se tornou um negócio de mais de US$ 3 bilhões. O nome e a mente por trás de tudo isso é Katrina Lake. Ela tornou essa ideia uma realidade da nova economia. Talvez mais do que isso. A Stitch Fix é um caminho a seguir.

A Stitch Fix conta hoje com 2,9 milhões de clientes ativos, representando um crescimento de 22% em relação a 2017.  Desde que enviou a sua primeira caixa de produtos, em 2011, a receita anual ultrapassou os US$ 1,2 bilhão. Além disso, a companhia vende mais de 1.000 marcas e ticket médio de US$ 55.  Pelo menos 75% deles forneceram informações via Style Shuffle, o que proporcionou mais de um bilhão de avaliações.

Aos 36 anos, Katrina tem uma história incomum. Ela sonhava em ser médica, antes de abraçar o empreendedorismo. Frequentou inicialmente um curso preparatório para medicina, mas se interessou por economia e negócios. Nos bancos escolares de Stanford, em São Francisco, ela percebeu o rumo que teria de seguir. Não pela ajuda do ambiente acadêmico, mas pelo tanto que este trabalhou contra.  “Havia lá uma influência antiempreendedora”, contou Katrian em uma entrevista à Forbes. Ela conta que as pessoas à sua volta não eram parecidas com seu estilo. Até chegavam a impedir que ela visse o empreendedorismo como opção. “Há maneiras de empreender sem ser aquela pessoa doida que corre altos riscos. Tive a sorte de descobri-lo para mim. Espero que também outros também o vejam como caminho a seguir.”

A história de Katrina é muito semelhante a muitas outras do Vale do Silício. Durante o período de estudos em Stanford, ela conseguiu um emprego como consultora em uma empresa de capitais. A sua ideia da Stitch Fix surgiu quando cursava a Harvard Business School. Aliás, ela enviou as primeiras encomendas do Stitch Fix a partir do seu apartamento. A sua ideia de combinar em que uma combinação de estilistas e algoritmos humanos escolhe roupas adaptadas para preferências individuais. Ela uniu a eficiência do big data e da tecnologia com a tudo o que havia de mais pessoal da experiência do consumidor. Aliado a isso, a empresa enviar sugestões de looks para seus clientes. E a taxa de acerto é de 80%.

Aos 34 anos, Katrina foi a mais jovem fundadora a abrir o capital de sua empresa. Não foi fácil para ela convencer os investidores de Wall Street para conquistar um lugar na bolsa eletrônica Nasdaq.  “Se eu ouvisse os investidores que não gostaram da nossa ideia, eu não estaria aqui hoje”, disse Katrina à Forbes. “Teve muita gente no caminho que não apostava do conceito. Achava que era ruim, recusava-se a investir. As pessoas dizem não o tempo todo.” Do limão, faz-se uma limonada. Quando um businessman refutava o seu projeto, ela já pediu o contato de outro. Ao menos, a reunião já teria valido para isso.

Parece discurso de autoajuda, mas o “não” estava longe de ser um muro para ela. Era um degrau. Desse degrau, ela construiu uma escada muito consistente. No mundo da moda e dos negócios, Katrina Lake não para de subir.

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Ainda sobre
a NRF 2019:
o farol do varejo

Se você tem uma loja de qualquer tamanho ou trabalha com serviços, tem que prestar atenção ao evento da NFR (National Retail Federation), que acontece em Nova York. Tudo o que acontece lá reverbera no setor em todo o mundo.

A edição 2019 trouxe, no entanto, um ponto de inflexão. Finalmente, os americanos tiveram de se render aos resultados chineses. É preciso dar um destaque especial ao Alibaba, um gigante do comércio eletrônico B2B. O tamanho dessa operação incomoda até mesmo grandes players americanos.

Na opinião de Marcos Gouvêa de Souza, do Grupo GS&, o evento deste ano mostrou que os EUA se curaram de uma certa miopia em relação ao que acontece fora de suas fronteiras. Não havia como fechar os olhos. É um verdadeiro tsunami chinês. “Os ecossistemas de negócios da China têm sido mais ágeis, estruturados, flexíveis e organizados para superar as tradicionais plataformas exponenciais de negócios do mundo ocidental, como Amazon, Google, Facebook e outros.”

Novos formatos de varejo, logística, meios de pagamento mobile estão estre os pilares dessa nova era. A China está deixando de lado o dinheiro de plástico. É a hora e a vez do dinheiro eletrônico em boa parte de suas transações.

Outro destaque foi o Stitch Fix. A empresa está bombando no mercado americano. Faz o que estamos preparados para fazer aqui na Riachuelo. Isto é, faz um diagnóstico de estilo a partir da conta de Instagram e Pinterest do cliente. A partir de um questionário, chega-se a um dress code de cada um. A partir daí, começa a mandar kits de peças. A taxa de acerto é de 80%. É um percentual impressionante.

Estes são apenas os primeiros exemplos das tendências que o setor pode indicar, inclusive para a próxima década. Temos combustível para conversar durante todo este ano a respeito dos rumos do varejo e de toda a inovação que vai irrigar cada loja, cada profissional, cada marca. Fique atento. Um novo varejo está nascendo. E todos ganham com isso.

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Os quatro
cavaleiros

Quem manda no mundo hoje? Certamente, não é a ONU. Ou qualquer governo ou bloco econômico. O petróleo comandou o planeta. A aliança conhecida como as sete irmãs ditava os rumos da indústria, do mercado e das economias. As montadoras tiveram seu período de predomínio. No início da era da internet, Microsoft, IBM e Yahoo reinavam. Na tecnologia mobile, Nokia e Blackberry tinham mais do que o marketshare. Eram referências.

Tudo isso ficou para trás. As energias renováveis tendem a dominar as próximas décadas. As montadoras precisam pensar em mobilidade. Não apenas em vender carros. Já a tecnologia da informação viveu uma troca de guarda. IBM e Yahoo continuam fortes, mas se tornaram coadjuvantes. Nokia e Blackberry flertaram com extinção. Já a Microsoft enfrentou momentos de declínio, até recuperar o protagonismo recentemente.

O mundo de hoje, porém, está nas mãos, nas telas e nos sistemas de quatro cavaleiros, como definiu Scott Galloway: Google, Apple, Amazon e Facebook. Ele é fundador da consultoria L2, especializada em varejo e marcas. Além disso, é professor de Marketing – NYU Stern School of Business e membro do conselho do The New York Times.

Na visão de Galloway, as lojas físicas vão continuar por um período ainda considerável. Porém, os clientes irão investir mais experiências do que em produtos. “Neste setor, teremos menos campeões, com lucros maiores. É a vitória do fast-fashion.”

O intelectual já previa que a Amazon seria a primeira empresa a ser avaliada em US$ 1 trilhão. De acordo com o seu histórico de compras, a empresa vai mandar para os clientes uma caixa com tudo o que gosta. Daí o possível comprador devolve o que não precisa. Além disso, tem o Alexa, o dispositivo que entende comandos de voz.

Na sequência dos cavaleiros está a Apple. Com a criação de mais de 500 templos da marca, a empresa tomou uma de suas melhores decisões para agregar valor. As pessoas não vão mais às lojas físicas pelo MacBook ou iPhone, e sim pela assistência, pelas pessoas, pela oportunidade de tocar e testar o produto antes de comprar.

O Facebook é o outro pilar da economia mundial. Tem mais seguidores do que qualquer religião. “Facebook is love”, diz o conferencista. “Temos necessidade de ser amados e estar conectados.” A empresa conseguiu atrair grandes talentos. A aquisição do Instagram foi uma grande cartada nesse jogo.

O último dos cavaleiros é o Google. “Google is God”. É a definição de Galloway. Para se ter uma ideia, uma em cada cinco perguntas feitas no Google nunca foram feitas verbalmente por um ser humano na Terra. É uma definição difícil até de se imaginar. O Google é como se fosse a entidade divina onisciente e onipresente. Será onipotente? A empresa trabalha inclusive com mobilidade, como o seu carro autônomo.

Teremos quinto cavaleiro? Galloway apresenta vários candidatos: Uber, Netflix e Airbnb. Nesse universo de algoritmos e inteligência artificial, estamos eliminando empregos muito mais rápido do que criando. Está aí o grande desafio. Em um mercado em crescente automação, os profissionais terão de ser mais preparados e entregar a máxima eficiência. Para empresas e profissionais, esse é caminho do protagonismo da nova economia.

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Novos
tempos

Eles vão invadir a sua praia. E não para por aí. Vão invadir seu escritório, sua casa, seu carro e tudo mais. Estou falando dos robôs e todo o processo de automação que vai tomar conta do mercado de trabalho. A sua vida já está mudando e você sabe disso.

Podemos prever que, em bem pouco tempo, os robôs corresponderão a metade da força de trabalho, como bem lembrou Antonio Almeida, sócio de consultoria da EY. Não é uma “automaçãozinha”, como salientou em reunião na Amcham (Câmara Americana de Comércio). “Robótica é um problema estratégico”, disse. As primeiras gerações robóticas já resolveram tarefas repetitivas. Agora é a vez do domínio de funções mais avançadas e algoritmos de previsão. “Esses robôs reconhecem voz e imagem, aprendem por meio de inteligência cognitiva e ‘conversam’ com o usuário.”

A ideia não é fazer terrorismo com a perspectiva de automação de todas as cadeias de suprimentos. É preciso auxiliar gerações de profissionais (novas e antigas) a se prepararem para as novas realidades do mercado de trabalho. Profissões vão ser extintas. Novas vão surgir. O mundo é assim. Não adiantou ficar com saudade da máquina de escrever. Foi preciso aprender a usar o PC e depois migrar para todas as plataformas digitais e de mobilidade.

Estamos vivendo tempos de tecnologia disruptivas. Em bom português, estamos quebrando modelos e criando novos. Não estamos apenas evoluindo, mas rompendo barreiras. A partir de realidades apresentadas em eventos como o Singularity University Global Summit, ficamos sabendo, por exemplo, que a maior parte das interações dos clientes será com máquinas até 2020. Outra previsão estabelece que 20% de todas as buscas em dispositivos móveis já são feitas por voz. Vem acontecendo uma transição muito veloz da era industrial para a digital. Claro, de forma muito mais rápida do que a saída da sociedade agrícola para a industrial. É de se imaginar, segundo o mesmo seminário, que os robôs se tornem opções reais para força de trabalho. Acreditem, não estamos distantes disso.

Nesse ponto, é importante trazer a opinião de Suely Milanez, especialista em carreira e Gestão de Pessoas. “Para não ser substituído por um robô, não aja como um.” Em artigo no LinkedIn, Suely apresenta habilidades mapeadas pela fundação Nesta e Universidade de Oxford no estudo “O Futuro da habilidades no Reino Unido: Emprego em 2030”. É possível elencar 5 dessas habilidades: 1-Julgamento e tomada de decisão; 2-Fluência de ideias, 3-Aprendizado ativo, 4-Estratégias de aprendizado e 5-Originalidade. “As habilidades do futuro, estão presentes em todos nós. É preciso praticar”, concluiu.

A educação, claro, é fundamental nesse processo. Todos deverão ser mais qualificados. Mas nenhum diploma terá poder de garantir nada. É preciso notar que tudo o que é valorizado é muito humano: criatividade, empatia, coragem e empreendedorismo. O caminho é ser autêntico.

É sua chance de esbanjar talento e alçar voo. Assim, nenhum robô irá te alcançar.

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Os empregos
do futuro

O mercado de trabalho está mudando?

Isso não é surpresa, porque sempre mudou. A nossa transformação como sociedade depende das mudanças econômicas e laborais. É de se imaginar que ninguém que vive e trabalha entre o final do século 20 e início do 21 teria vontade de caçar na floresta a sua própria comida. Era isso que nossos antepassados faziam.

Telefonistas, ascensoristas, datilógrafos, entre outras funções, deixaram de existir. As pessoas reclamam da extinção de profissões e veem isto como causa de desocupação. Porém, o que acontece é uma mudança em nossa civilização, que deixa de necessitar de determinados serviços para exigir outros.

Há pouco mais de 20 anos, ninguém sabia direito o que era um webdesigner, gestor de mídias sociais ou programador de aplicativos. Com o desenvolvimento da inteligência artificial, outras tantas funções irão sumir. Pode ser que operadores de telemarketing, caixas de supermercados e até árbitros de futebol já comecem a ficar na berlinda. É hora, porém, de olhar a parte cheia do copo.

De acordo com análise de instituições como o Senai, a indústria 4.0 é uma realidade. A quarta revolução industrial está transformando o mercado de trabalho a ponto de fazer surgir empregos que não pensávamos até há pouco tempo. Engenheiro de cibersegurança, analista de internet das coisas, mecânico de veículo híbrido e projetistas de impressoras 3D são algumas delas.

O diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, faz uma importante análise sobre o tema: “As tecnologias digitais vão criar uma miríade de novos negócios e transformar o mercado de trabalho”.  O processo de aprendizagem, segundo ele, será contínuo e irá durar por toda a vida. “As pessoas que compreenderem melhor as tendências e se qualificarem para esse novo mundo profissional vão ser mais bem sucedidas.”

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) tem uma projeção surpreendente. A previsão é de que, até 2030, 65% dos alunos que estão hoje cursando os primeiros anos do ensino fundamental deverão atuar em profissões que ainda não existem. Dezenas de profissões irão surgir. Especialistas de plantão ou palpiteiros estarão sempre afiados para indicar que caminho o seu filho ou até o seu neto irá seguir para ganhar a vida.

O Fórum Econômico Mundial, por exemplo, elaborou em 2016 uma lista de dez aptidões que deverão ser mais valorizadas na próxima década: capacidade para solucionar problemas difíceis, criatividade, flexibilidade, gestão de pessoas, inteligência emocional, negociação, pensamento crítico, serviço comunitário, tomada de decisão com responsabilidade e trabalho em grupo.

Já o McKinsey Global Institute soltou um relatório em 2017 que irá também nos servir para analisar este cenário, utilizando, ainda, o ano de 2030 como parâmetro. O grande desafio, segundo essa instituição americana, é a transição de trabalho. Existe uma certeza: os empregos das décadas anteriores serão transformados em novos postos de trabalho para as gerações do futuro, com outras funções. “O panorama supera a escala das mudanças na agricultura e na manufatura ocorridas no passado”, diz o relatório.

A automação está remodelando o nosso mundo, afirma o relatório. “Robôs, algoritmos e inteligência artificial estão aumentando a produtividade, melhorando vidas. Essa revolução trará a maior mudança de empregos na história.” As economias emergentes irão demandar mais estudo, criatividade, sociabilidade e mais habilidades cognitivas (conhecimento). Além disso, é elevada a demanda por inovação e dinamismo econômico. O estudo destaca funções como prestadores de serviços de saúde, engenheiros, cientistas, educadores, profissionais criativos (arte e entretenimento), entre outros.

O futuro é desafiador, sem dúvida. O mercado de trabalho demandará mais e mais conhecimento, em uma escala muito maior do que nossos pais e avós. No entanto, nunca tivemos tanto acesso a conhecimento. A grande virada na carreira passa muito longe de se lamentar pelas mudanças que o mundo passa. É preciso usar a nosso favor a tecnologia, a inteligência artificial e todas as soluções concebidas no século 21. Não podemos e nem devemos deter esta onda. Mas podemos surfar nela e construir o nosso sucesso.

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A vez das
fintechs

A concentração do nosso sistema bancário e o spread elevado são problemas que venho apontando faz algum tempo. Esse cenário se tornou tóxico para o livre mercado e o empreendedorismo. Estamos falando de cinco bancos concentrando 85% de todo o mercado nacional. Assim, o custo do dinheiro (empréstimos) é um dos mais altos do mundo. Isso acontece mesmo com a taxa Selic em queda.

Diego Barreto, CFO do iFood e especialista em estratégia, liderança e finanças, tem uma análise para esclarecer esse cenário. “O Brasil foi construído a partir de um modelo que privilegiava o fechamento comercial. Ao se fechar, proporcionou que os impérios empresariais locais construíssem barreiras, que praticamente impediram a competição no país”, afirma ele, também palestrante da Casa do Saber. “Essas empresas cresceram e se tornaram campeões nacionais, algo que matou o empreendedorismo no Brasil.”

Porém, este terreno árido gerou uma nova floresta de oportunidades que atende pelo nome de fintechs, as startups de serviços financeiros. Essas empresas unem tecnologia e finanças com uma estrutura menor e muito menos burocracia. Os juros, assim, são mais baixos, existe mais acesso a crédito, mas sem a perda de tempo de ir a uma agência – algo que os grandes bancos também estão se moldando.

“O Brasil passa por uma grande revolução de oferta”, como bem definiu Diego Barreto. Nosso país tem hoje mais de 500 fintechs. Muitas delas tiveram aportes consideráveis. Nubank, GuiaBolso, Creditas e Stone Pagamentos já são gigantes do setor. Mais do que isso. De acordo com estudo da KPMG e da H2 Ventures, o Brasil colocou três fintechs entre as 100 mais inovadoras do mundo.

A possibilidade de resolver tudo pela tela do celular em tempo real é um atrativo para consumidores e empreendedores. Estamos falando de bons serviços, como investimentos, conta corrente, cartão de crédito, crowfunding e controle de pagamentos. “As fintechs são muito importantes, porque elas podem aumentar a competição e reduzir – e muito – o custo do crédito para quem toma dinheiro emprestado”, analisou o economista e palestrante Ricardo Amorim.

Claro, o custo do dinheiro também tem a ver com todo o contexto da economia. As fintechs não serão uma mágica na vida brasileira. Elas precisam contar com legislações que estimulem a concorrência e até a vinda de investidores estrangeiros. Essas empresas inovadoras são agentes de uma revolução que teremos no Brasil. É como se tivéssemos a “uberização” dos bancos. As grandes instituições estão reagindo e buscando se tornar mais competitivas. O cliente e o empreendedor irão ganhar muito com isso.

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