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Os quatro
cavaleiros

Quem manda no mundo hoje? Certamente, não é a ONU. Ou qualquer governo ou bloco econômico. O petróleo comandou o planeta. A aliança conhecida como as sete irmãs ditava os rumos da indústria, do mercado e das economias. As montadoras tiveram seu período de predomínio. No início da era da internet, Microsoft, IBM e Yahoo reinavam. Na tecnologia mobile, Nokia e Blackberry tinham mais do que o marketshare. Eram referências.

Tudo isso ficou para trás. As energias renováveis tendem a dominar as próximas décadas. As montadoras precisam pensar em mobilidade. Não apenas em vender carros. Já a tecnologia da informação viveu uma troca de guarda. IBM e Yahoo continuam fortes, mas se tornaram coadjuvantes. Nokia e Blackberry flertaram com extinção. Já a Microsoft enfrentou momentos de declínio, até recuperar o protagonismo recentemente.

O mundo de hoje, porém, está nas mãos, nas telas e nos sistemas de quatro cavaleiros, como definiu Scott Galloway: Google, Apple, Amazon e Facebook. Ele é fundador da consultoria L2, especializada em varejo e marcas. Além disso, é professor de Marketing – NYU Stern School of Business e membro do conselho do The New York Times.

Na visão de Galloway, as lojas físicas vão continuar por um período ainda considerável. Porém, os clientes irão investir mais experiências do que em produtos. “Neste setor, teremos menos campeões, com lucros maiores. É a vitória do fast-fashion.”

O intelectual já previa que a Amazon seria a primeira empresa a ser avaliada em US$ 1 trilhão. De acordo com o seu histórico de compras, a empresa vai mandar para os clientes uma caixa com tudo o que gosta. Daí o possível comprador devolve o que não precisa. Além disso, tem o Alexa, o dispositivo que entende comandos de voz.

Na sequência dos cavaleiros está a Apple. Com a criação de mais de 500 templos da marca, a empresa tomou uma de suas melhores decisões para agregar valor. As pessoas não vão mais às lojas físicas pelo MacBook ou iPhone, e sim pela assistência, pelas pessoas, pela oportunidade de tocar e testar o produto antes de comprar.

O Facebook é o outro pilar da economia mundial. Tem mais seguidores do que qualquer religião. “Facebook is love”, diz o conferencista. “Temos necessidade de ser amados e estar conectados.” A empresa conseguiu atrair grandes talentos. A aquisição do Instagram foi uma grande cartada nesse jogo.

O último dos cavaleiros é o Google. “Google is God”. É a definição de Galloway. Para se ter uma ideia, uma em cada cinco perguntas feitas no Google nunca foram feitas verbalmente por um ser humano na Terra. É uma definição difícil até de se imaginar. O Google é como se fosse a entidade divina onisciente e onipresente. Será onipotente? A empresa trabalha inclusive com mobilidade, como o seu carro autônomo.

Teremos quinto cavaleiro? Galloway apresenta vários candidatos: Uber, Netflix e Airbnb. Nesse universo de algoritmos e inteligência artificial, estamos eliminando empregos muito mais rápido do que criando. Está aí o grande desafio. Em um mercado em crescente automação, os profissionais terão de ser mais preparados e entregar a máxima eficiência. Para empresas e profissionais, esse é caminho do protagonismo da nova economia.

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Novos
tempos

Eles vão invadir a sua praia. E não para por aí. Vão invadir seu escritório, sua casa, seu carro e tudo mais. Estou falando dos robôs e todo o processo de automação que vai tomar conta do mercado de trabalho. A sua vida já está mudando e você sabe disso.

Podemos prever que, em bem pouco tempo, os robôs corresponderão a metade da força de trabalho, como bem lembrou Antonio Almeida, sócio de consultoria da EY. Não é uma “automaçãozinha”, como salientou em reunião na Amcham (Câmara Americana de Comércio). “Robótica é um problema estratégico”, disse. As primeiras gerações robóticas já resolveram tarefas repetitivas. Agora é a vez do domínio de funções mais avançadas e algoritmos de previsão. “Esses robôs reconhecem voz e imagem, aprendem por meio de inteligência cognitiva e ‘conversam’ com o usuário.”

A ideia não é fazer terrorismo com a perspectiva de automação de todas as cadeias de suprimentos. É preciso auxiliar gerações de profissionais (novas e antigas) a se prepararem para as novas realidades do mercado de trabalho. Profissões vão ser extintas. Novas vão surgir. O mundo é assim. Não adiantou ficar com saudade da máquina de escrever. Foi preciso aprender a usar o PC e depois migrar para todas as plataformas digitais e de mobilidade.

Estamos vivendo tempos de tecnologia disruptivas. Em bom português, estamos quebrando modelos e criando novos. Não estamos apenas evoluindo, mas rompendo barreiras. A partir de realidades apresentadas em eventos como o Singularity University Global Summit, ficamos sabendo, por exemplo, que a maior parte das interações dos clientes será com máquinas até 2020. Outra previsão estabelece que 20% de todas as buscas em dispositivos móveis já são feitas por voz. Vem acontecendo uma transição muito veloz da era industrial para a digital. Claro, de forma muito mais rápida do que a saída da sociedade agrícola para a industrial. É de se imaginar, segundo o mesmo seminário, que os robôs se tornem opções reais para força de trabalho. Acreditem, não estamos distantes disso.

Nesse ponto, é importante trazer a opinião de Suely Milanez, especialista em carreira e Gestão de Pessoas. “Para não ser substituído por um robô, não aja como um.” Em artigo no LinkedIn, Suely apresenta habilidades mapeadas pela fundação Nesta e Universidade de Oxford no estudo “O Futuro da habilidades no Reino Unido: Emprego em 2030”. É possível elencar 5 dessas habilidades: 1-Julgamento e tomada de decisão; 2-Fluência de ideias, 3-Aprendizado ativo, 4-Estratégias de aprendizado e 5-Originalidade. “As habilidades do futuro, estão presentes em todos nós. É preciso praticar”, concluiu.

A educação, claro, é fundamental nesse processo. Todos deverão ser mais qualificados. Mas nenhum diploma terá poder de garantir nada. É preciso notar que tudo o que é valorizado é muito humano: criatividade, empatia, coragem e empreendedorismo. O caminho é ser autêntico.

É sua chance de esbanjar talento e alçar voo. Assim, nenhum robô irá te alcançar.

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Os empregos
do futuro

O mercado de trabalho está mudando?

Isso não é surpresa, porque sempre mudou. A nossa transformação como sociedade depende das mudanças econômicas e laborais. É de se imaginar que ninguém que vive e trabalha entre o final do século 20 e início do 21 teria vontade de caçar na floresta a sua própria comida. Era isso que nossos antepassados faziam.

Telefonistas, ascensoristas, datilógrafos, entre outras funções, deixaram de existir. As pessoas reclamam da extinção de profissões e veem isto como causa de desocupação. Porém, o que acontece é uma mudança em nossa civilização, que deixa de necessitar de determinados serviços para exigir outros.

Há pouco mais de 20 anos, ninguém sabia direito o que era um webdesigner, gestor de mídias sociais ou programador de aplicativos. Com o desenvolvimento da inteligência artificial, outras tantas funções irão sumir. Pode ser que operadores de telemarketing, caixas de supermercados e até árbitros de futebol já comecem a ficar na berlinda. É hora, porém, de olhar a parte cheia do copo.

De acordo com análise de instituições como o Senai, a indústria 4.0 é uma realidade. A quarta revolução industrial está transformando o mercado de trabalho a ponto de fazer surgir empregos que não pensávamos até há pouco tempo. Engenheiro de cibersegurança, analista de internet das coisas, mecânico de veículo híbrido e projetistas de impressoras 3D são algumas delas.

O diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, faz uma importante análise sobre o tema: “As tecnologias digitais vão criar uma miríade de novos negócios e transformar o mercado de trabalho”.  O processo de aprendizagem, segundo ele, será contínuo e irá durar por toda a vida. “As pessoas que compreenderem melhor as tendências e se qualificarem para esse novo mundo profissional vão ser mais bem sucedidas.”

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) tem uma projeção surpreendente. A previsão é de que, até 2030, 65% dos alunos que estão hoje cursando os primeiros anos do ensino fundamental deverão atuar em profissões que ainda não existem. Dezenas de profissões irão surgir. Especialistas de plantão ou palpiteiros estarão sempre afiados para indicar que caminho o seu filho ou até o seu neto irá seguir para ganhar a vida.

O Fórum Econômico Mundial, por exemplo, elaborou em 2016 uma lista de dez aptidões que deverão ser mais valorizadas na próxima década: capacidade para solucionar problemas difíceis, criatividade, flexibilidade, gestão de pessoas, inteligência emocional, negociação, pensamento crítico, serviço comunitário, tomada de decisão com responsabilidade e trabalho em grupo.

Já o McKinsey Global Institute soltou um relatório em 2017 que irá também nos servir para analisar este cenário, utilizando, ainda, o ano de 2030 como parâmetro. O grande desafio, segundo essa instituição americana, é a transição de trabalho. Existe uma certeza: os empregos das décadas anteriores serão transformados em novos postos de trabalho para as gerações do futuro, com outras funções. “O panorama supera a escala das mudanças na agricultura e na manufatura ocorridas no passado”, diz o relatório.

A automação está remodelando o nosso mundo, afirma o relatório. “Robôs, algoritmos e inteligência artificial estão aumentando a produtividade, melhorando vidas. Essa revolução trará a maior mudança de empregos na história.” As economias emergentes irão demandar mais estudo, criatividade, sociabilidade e mais habilidades cognitivas (conhecimento). Além disso, é elevada a demanda por inovação e dinamismo econômico. O estudo destaca funções como prestadores de serviços de saúde, engenheiros, cientistas, educadores, profissionais criativos (arte e entretenimento), entre outros.

O futuro é desafiador, sem dúvida. O mercado de trabalho demandará mais e mais conhecimento, em uma escala muito maior do que nossos pais e avós. No entanto, nunca tivemos tanto acesso a conhecimento. A grande virada na carreira passa muito longe de se lamentar pelas mudanças que o mundo passa. É preciso usar a nosso favor a tecnologia, a inteligência artificial e todas as soluções concebidas no século 21. Não podemos e nem devemos deter esta onda. Mas podemos surfar nela e construir o nosso sucesso.

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A vez das
fintechs

A concentração do nosso sistema bancário e o spread elevado são problemas que venho apontando faz algum tempo. Esse cenário se tornou tóxico para o livre mercado e o empreendedorismo. Estamos falando de cinco bancos concentrando 85% de todo o mercado nacional. Assim, o custo do dinheiro (empréstimos) é um dos mais altos do mundo. Isso acontece mesmo com a taxa Selic em queda.

Diego Barreto, CFO do iFood e especialista em estratégia, liderança e finanças, tem uma análise para esclarecer esse cenário. “O Brasil foi construído a partir de um modelo que privilegiava o fechamento comercial. Ao se fechar, proporcionou que os impérios empresariais locais construíssem barreiras, que praticamente impediram a competição no país”, afirma ele, também palestrante da Casa do Saber. “Essas empresas cresceram e se tornaram campeões nacionais, algo que matou o empreendedorismo no Brasil.”

Porém, este terreno árido gerou uma nova floresta de oportunidades que atende pelo nome de fintechs, as startups de serviços financeiros. Essas empresas unem tecnologia e finanças com uma estrutura menor e muito menos burocracia. Os juros, assim, são mais baixos, existe mais acesso a crédito, mas sem a perda de tempo de ir a uma agência – algo que os grandes bancos também estão se moldando.

“O Brasil passa por uma grande revolução de oferta”, como bem definiu Diego Barreto. Nosso país tem hoje mais de 500 fintechs. Muitas delas tiveram aportes consideráveis. Nubank, GuiaBolso, Creditas e Stone Pagamentos já são gigantes do setor. Mais do que isso. De acordo com estudo da KPMG e da H2 Ventures, o Brasil colocou três fintechs entre as 100 mais inovadoras do mundo.

A possibilidade de resolver tudo pela tela do celular em tempo real é um atrativo para consumidores e empreendedores. Estamos falando de bons serviços, como investimentos, conta corrente, cartão de crédito, crowfunding e controle de pagamentos. “As fintechs são muito importantes, porque elas podem aumentar a competição e reduzir – e muito – o custo do crédito para quem toma dinheiro emprestado”, analisou o economista e palestrante Ricardo Amorim.

Claro, o custo do dinheiro também tem a ver com todo o contexto da economia. As fintechs não serão uma mágica na vida brasileira. Elas precisam contar com legislações que estimulem a concorrência e até a vinda de investidores estrangeiros. Essas empresas inovadoras são agentes de uma revolução que teremos no Brasil. É como se tivéssemos a “uberização” dos bancos. As grandes instituições estão reagindo e buscando se tornar mais competitivas. O cliente e o empreendedor irão ganhar muito com isso.

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A paixão
de Jeff Bezos

Jeff Bezos é daqueles empreendedores que parece estar sempre olhando muito além dos demais. Ele tem muitas coisas no seu target: e-commerce, lojas físicas, serviço de streamming, mídia, turismo espacial. Qual será o seu próximo triunfo? Difícil saber, mas paixão é o seu combustível.

Não é exagero dizer que Bezos representa para o varejo um “antes” e um “depois”. Empresa que criou em sua garagem, em 1993, a Amazon fez tremer o mercado de livros. Ele deixou um ótimo emprego no mercado financeiro, tanto que chegou a vice-presidente da corretora D.E. Shaw, e resolveu apostar na internet, um mercado que chegou a crescer 2.300% na época. Bezos garante, porém, que não foi esse motivo de sua escolha. “Houve uma corrida do ouro no início da internet. Só que isso geralmente não dá certo. É preciso fazer alguma coisa que você seja apaixonado por ela”, afirmou Bezos.

Bezos venceu com a Amazon. Faz muito tempo que não vende apenas livros. Tem de tudo lá, inclusive serviços para casa. A criatividade, a velocidade e a experiência do cliente são pilares dessa organização. É o que caso da loja física da companhia, a AmazonGO. Trata-se de um lugar no qual o consumidor não precisa passar na fila do caixa. Basta pegar o produto na prateleira e sair. A conta chega ao seu cartão de crédito por meio de um aplicativo que identifica a sua entrada na loja e rastreia o produto que vai na sacola graças à geolocalização. A ideia é ter 3.000 dessas lojas de conveniência até 2021. Isto é prova que ele não brinca em serviço. “Nossos clientes são leais até que apareça alguém que lhes ofereça um serviço melhor.”

Outro passo foi uma loja que oferece somente os produtos mais bem avaliados pelo e-commerce. A Amazon 4-star abriu as portas em Nova York com a promessa de apresentar itens que “certamente os clientes irão adorar”. Livros, brinquedos, equipamentos eletrônicos, jogos e peças para casa formam esta seleção.

Em sua estrada para o futuro, Bezos tem outros empreendimentos que fazem dele um realizador de sonhos. A assistente virtual Alexa é um desses exemplos. Essa faz-tudo digital nasceu de um projeto fracassado, um celular deveria rivalizar com Apple e Samsung. O smartphone não foi adiante. A Alexa sim. “Se você não consegue ouvir críticas, então é melhor não perder tempo tentando fazer algo novo ou interessante”, sentencia.

Na rampa de lançamento deste sonhador, também está a sua empresa especial, a Blue Origin. Na infância, ele foi inspirado pelas missões Apollo e pelas aventuras da nave Enterprise, da série Star Trek. Seus objetivos? Promover o turismo especial e levar a indústria pesada para a lua. Ao menos da primeira meta ele não está longe. O foguete New Shepard teve testes bem-sucedidos de lançamentos e pousos da cápsula e do propulsor.

Com uma história dessas, o fato de Bezos ser o homem mais rico do mundo se torna um detalhe. A sua fortuna pessoal de US$ 115 bilhões e a Amazon avaliada em US$ 1 trilhão são conseqüências muito felizes. A causa é um empreendedor que não se dá ao direito de trabalhar sem paixão.

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Simon Sinek
e a liderança
inspiradora

Na empresa, em casa, na família, a liderança passa muito longe do simples ato de mandar nos outros. É uma inspiração para as pessoas que estão sob o seu comando. Para isso, a leitura de Simon Sinek é fundamental.

Simon é autor de cinco best-sellers: Start With Why: How Great Leaders Inspire Everyone to Take Action (2009); Leaders Eat Last: Why Some Teams Pull Together and Others Don’t (2014); Together Is Better: A Little Book of Inspiration (2016); Find Your Why: A Practical Guide for Discovering Purpose for You and Your Team (2017) e The Infinite Game (2018).

Além da força editorial e das suas palestras, Simon também é um fenômeno digital. Ele propagou o conceito de “Why”, em sua primeira apresentação no TED Talk em 2009. Essa palestra se tornou a terceira mais assistida do TED, com 40 milhões de visualizações e legendas em 47 idiomas. Além disso, quebrou recordes na internet. No YouTube, chegou a ser o quinto termo mais procurado em 2017. Afinal, ninguém chega, por acaso, a 200 milhões de visualizações em um mês.

Em seu modelo de liderança inspiradora, Simon afirma: “Os líderes têm uma posição de poder ou autoridade. Mas aqueles que lideram nos inspiram. Sejam eles indivíduos ou organizações, nós seguimos aqueles que lideram, não porque temos de seguir, mas porque queremos seguir. E esses que começam com ‘por que’ possuem a habilidade de inspirar aqueles a sua volta ou encontrar aqueles que os inspiram.”

Simon é conhecido como um grande otimista e um pensador visionário. Isto porque acredita em um futuro brilhante para pessoas e organizações. É Simon quem ensina líderes para justamente inspirar pessoas. Os seus objetivos são arrojados. Ele pretende que as pessoas se sintam inspiradas, seguras e realizadas.

Ele resumiu algumas histórias de sucesso em algo que ele chama de Círculo Dourado: Por que?; Como? e O quê?. “Isto ilustra por que alguns líderes e organizações são capazes de inspirar e outros não.” Segundo ele, boa parte das companhias sabem como fazem e o que fazem. Porém, poucas têm claro o porquê.

O lucro é o resultado. Não é disso que se trata. O porquê é o propósito. Qual o motivo de você fazer o que faz? Quais valores defende? Líderes e organizações somente terão o sucesso que esperam se o seus liderados entenderem a razão de fazer o que fazem. Todos têm de comprar a sua causa, a sua crença. Acreditem. A longo prazo, isso é mais valioso que salário. Define o rumo de uma vida.

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O caso
de Vitória

O termo liberdade econômica tem de se tornar o verdadeiro mote de todo brasileiro. Em minhas mídias sociais e artigos, venho falando muito a respeito de ranking dos países mais hospitaleiros ao investimento. Para a nossa infelicidade, o Brasil está sempre na rabeira. Está no pelotão de trás, com companhia de países de economia fechada e muito, muito pobres.

No caso do ranking da Heritage Foundation, são avaliados o tamanho do Estado, eficiência regulatória, segurança jurídica e abertura de mercado. Nestes quesitos, estamos muito atrás de Hong Kong, Cingapura, Nova Zelândia, Suíça, Austrália e Irlanda. Esses países formam a elite dos países com economia mais livre do mundo, entre 180 países analisados.

Ainda que precisemos de uma iniciativa nacional para mudar esse estado de atraso, é importante destacar algumas iniciativas locais. É o caso de Vitória. A  capital do Espírito Santo foi escolhida pelo ranking da revista Exame como a melhor cidade para ser fazer negócios no Brasil.

O semanário econômico destaca as iniciativas recentes da cidade para ser mais atraente a investimento, empreendedorismo e criação de empregos. Um bom exemplo é a facilidade que se tem hoje para abrir uma empresa. Há seis anos, um empreendedor precisava de pelo menos 120 dias para abrir uma empresa. Hoje, não precisava mais do que 20 dias. E a meta é baixar a 15 dias em 2020. “Nosso desafio diário é tornar a cidade amiga de quem quer empreender”, diz Luciano Rezende, prefeito de Vitória.

O mandatário vitoriense destaca a importância da tecnologia nesse embate contra a burocracia e força redobrada ao empreendedorismo. “Passamos de 5.500 empreendedores individuais formalizados, em 2012, para cerca de 20.000, em 2017”, compara o prefeito.

Ainda no final de 2018, a prefeitura prepara um edital para projetos de startups. Neste caso, essas empresas inovadoras têm de criar soluções para o serviço municipal. A ideia vem de uma parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo. Serão distribuídos R$ 1,5 milhão para os projetos mais bem fundamentados para educação, gestão e saúde.

Isso tudo é fruto da Política Municipal de Inovação. O povo da cidade, certamente, irá se beneficiar da geração de renda e criação de empregos. Muito além dos discursos e das supostas boas intenções, é desses atos concretos que as pessoas precisam. É por esta razão que Vitória é um exemplo para o Brasil. Passou da hora de tomarmos jeito.

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Sinal
de alerta

Uma luz amarela está acesa na economia. E não deve apagar tão cedo. O sinal de alerta foi emitido pelo Fundo Monetário Internacional em seu Relatório de Estabilidade Financeira Global, divulgado no início de outubro. O maior nível de preocupação deve estar entre os mercados emergentes. Nisto, o Brasil é parte interessada.

Depois de uma década da crise financeira mundial, a instituição destaca uma melhora dos quadros regulatórios do sistema bancário. Os freios e contrapesos estão melhor calibrados. Porém, o relatório avisa: “Novas vulnerabilidades surgiram e a resiliência do sistema financeiro mundial ainda não foi testada”. Digamos que foram trocados a suspensão e os freios do seu carro, mas ele ainda não encarou uma pista off-road para ver se dá conta realmente do desafio.

Além disso, a pista vai ser mais esburacada e cheia de lama se o seu carro tiver placa de um país emergente. Isto vale para brasileiros, mexicanos, argentinos, sul-africano, entre outros. “Os riscos poderiam aumentar drasticamente caso as pressões nas economias de mercados emergentes aumentem ou as tensões comerciais se agravem”, alerta o relatório.

O FMI considera que as pressões sobre esses mercados irão aumentar os riscos de estabilidade. Em médio prazo, o cenário pode ser semelhante ao da crise de 2008. É uma probabilidade. Não uma certeza. Para piorar, a perspectiva de crescimento da economia mundial não é das melhores. “Os riscos de médio prazo para a estabilidade financeira mundial e o crescimento permanecem elevados. Um aperto súbito e agudo das condições financeiras poderia trazer à tona uma série de vulnerabilidades acumuladas ao longo dos anos.”

É verdade. O cenário não é dos melhores. Não se trata apenas da relação do brasileiro com a urna. O mundo está complicado como um todo. Estará preparado quem for responsável com as finanças. Não podemos meramente surfar em ondas e achar que voltaremos ao topo por milagre. Já fizemos isso e quebramos a cara. É hora de ter responsabilidade. O caminho é difícil, mas temos força para percorrê-lo. Até lá, vamos prestar atenção nesta luz de alerta. Ela pode ajudar a iluminar nossa jornada.

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Vale conhecer
Milton Friedman

“A sociedade que coloca a igualdade à frente da liberdade irá terminar sem igualdade e liberdade.”

Esta é uma das incontáveis frases de efeito do economista Milton Friedman (1912-2006) que costumamos receber em nossas mídias sociais. O momento não poderia ser melhor, ao menos para o público brasileiro, que está assistindo ao renascimento das ideias liberais.

Se você está buscando autores relevantes no espectro liberal, certamente Friedman tem de estar entre os primeiros. Com prêmio Nobel de Economia e muitas honrarias no currículo, o economista nova-iorquino se tornou um verbete fundamental em qualquer estudo. Estamos falando do fundador da Escola de Chicago. Além do próprio Friedman, lá estão outros economistas que defendem o papel reduzido do Estado.

Um discurso fácil seria atribuir a ele um desprezo pelos pobres. Na verdade, é o total oposto. Enquanto respondia a uma pergunta sobre que liberdade os pobres têm, em um ciclo de palestras entre 1977 e 1978, alguém da plateia o interrompeu: “Você já foi pobre algum dia?”. A resposta foi direta: “Sim. Muito mais pobre do que qualquer um nesta sala. Provavelmente, ninguém trabalhou 12 horas num dia para receber 79 centavos”. Friedman era filho de imigrantes russos. Estudou graças a uma bolsa e muitos sacrifícios.

Ele não colocava todas as atribuições sobre as costas do Estado, como uma entidade protetora dos cidadãos. Essa falsa pretensão, segundo ele, levava a mais pobreza. A responsabilidade deve estar nas pessoas, que não podem admitir que seus concidadãos chegassem mal preparados para competir no mercado de trabalho. Isto era fruto de uma educação fraca oferecida pela Estado.

Entre suas obras, podemos destacar cinco livros: “Capitalismo e Liberdade” (1962); “Uma História Monetária dos Estados Unidos, 1867-1960” (1963), “Liberdade para Escolher” (1980), “Promessas brilhantes, desempenho desanimador” (1983) e “Tirania do Status Quo” (1984). Muitas palestras estão disponíveis, inclusive legendadas, no YouTube. E o legado de Friedman também está vivo na fundação que ele e sua esposa idealizaram.

A EdChoice, antes chamada de Friedman Foundation, tem foco na educação. “Quando abriu as portas há 20 anos, Milton e Rose sabiam que o desafio da escolha pela educação era maior que o nome deles. Eles sempre quiseram que esta fundação não fosse baseada no nome deles, mas sempre quiseram educar o público sobre os benefícios da escolha educacional”, afirmou Robert C. Enlow, presidente e CEO da EdChoice.

Milton Friedman, portanto, vai muito além de memes, frases de impacto ou o ódio dos seus opositores. É alguém com ideais de liberdade para a economia e a sociedade. Não precisamos concordar com tudo, mas ele nunca foi tão atual e necessário.

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A vez da
geração Z

O alfabeto acabou, mas os desafios para as marcas não. Aliás, apenas começaram. A geração Z – pessoas nascidas a partir de 1995 – está chegando às universidades e ao mercado. Eles começam a ter dinheiro no bolso e não aceitam as velhas estratégias de marketing.

Definidos como nascidos digitais, esses jovens estão conectados o tempo todo. Sabem o que querem e não se contentam com pouco. A empresa PHD World Wide produziu um vídeo que viralizou há alguns anos. Nele, pré-adolescentes anunciavam como seria o mundo depois de a sua chegada ao mercado. O testemunhal começa assim: “Se você trabalha com marketing, é preciso melhorar a qualidade do seu jogo. Porque você não viu nada como nós. Vamos comprar e influenciar. Não queremos apenas propaganda. Esperamos conteúdo inteligente e personalizado”.

Eles só estão off-line quando estão dormindo – e olhe lá. O mundo deles sempre foi digital. O que fazer com pessoas interessadas, empreendedoras, engajadas? Certamente, não será apresentando estruturas rígidas de negócio. Muito menos impor produtos com custo alto e que eles não consigam enxergar o benefício. Eles sabem o poder de um simples “unfollow” nos perfis das marcas nas redes sociais. Um simples block destrói marcas do dia para a noite. “Essa geração está preocupada com causas. Querem melhorar o mundo”, disse o professor e palestrante Dado Schneider, em entrevista ao Canal Futura. “Quanto ao consumo, eles não são tão ligados a marcas, como as gerações anteriores. Não estão interessadas em status e consumismo. Eles estão atrelados à ideia de trabalhar e viver de forma harmônica.”

De acordo com Schneider, as marcas têm um problema no futuro. “Essas empresas não vão conseguir se conectar a eles como se conectaram aos antecessores. Porque não buscam compensação no consumo. Isto porque gostam daquilo que fazem. Lazer e trabalho estão cada vez mais misturados.”

Dorte Wimmer, diretor da Retail Institute Scandinavia, foi um dos destaques do painel “O futuro do varejo e o varejo do futuro” no Latam Retail Show. Ela dá as boas-vindas aos consumidores do amanhã. “Tudo está de cabeça para baixo. Para atrair os nativos digitais, as marcas precisam comunicar o consumo com significado. Essa geração dá importância a tudo: tipo de produção, força de trabalho, sustentabilidade, experiência e transparência.”

A consultora de conteúdo digital Alessandra Lippel, por sua vez, tem dados importantes sobre o tema. Em 2020, os jovens da geração Z serão mais de 2,5 bilhões de pessoas. “Eles são um upgrade dos Millenials. São mais pé no chão do que os antecessores, porque viveram o auge da crise de 2008. A tecnologia para eles é uma ferramenta. Não uma obsessão. Estamos falando de  jovens mais pragmáticos e conscientes. Pagam apenas por aquilo que de fato estão usando.”

O desafio para encarar o novíssimo consumidor mal começou. Eles serão a maioria da população com poder de compra. Neste caso, cada empresa deve migrar do produto para a solução. Ainda que as gerações anteriores continuem consumindo, esses nativos digitais vão determinar muitos comportamentos nos hábitos de consumo, nas causas que defendem e até na sobrevivência de grandes empresas.

Destaco com frequência a importância histórica do leitor de código de barras. O mundo de hoje é esse protagonismo do consumidor levado ao extremo. Eles decidem, compartilham, opinam e criticam. Tudo agora. É um mundo híbrido entre físico e digital. É uma revolução fascinante. Todos nós podemos fazer parte dela.

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