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Simon Sinek
e a liderança
inspiradora

Na empresa, em casa, na família, a liderança passa muito longe do simples ato de mandar nos outros. É uma inspiração para as pessoas que estão sob o seu comando. Para isso, a leitura de Simon Sinek é fundamental.

Simon é autor de cinco best-sellers: Start With Why: How Great Leaders Inspire Everyone to Take Action (2009); Leaders Eat Last: Why Some Teams Pull Together and Others Don’t (2014); Together Is Better: A Little Book of Inspiration (2016); Find Your Why: A Practical Guide for Discovering Purpose for You and Your Team (2017) e The Infinite Game (2018).

Além da força editorial e das suas palestras, Simon também é um fenômeno digital. Ele propagou o conceito de “Why”, em sua primeira apresentação no TED Talk em 2009. Essa palestra se tornou a terceira mais assistida do TED, com 40 milhões de visualizações e legendas em 47 idiomas. Além disso, quebrou recordes na internet. No YouTube, chegou a ser o quinto termo mais procurado em 2017. Afinal, ninguém chega, por acaso, a 200 milhões de visualizações em um mês.

Em seu modelo de liderança inspiradora, Simon afirma: “Os líderes têm uma posição de poder ou autoridade. Mas aqueles que lideram nos inspiram. Sejam eles indivíduos ou organizações, nós seguimos aqueles que lideram, não porque temos de seguir, mas porque queremos seguir. E esses que começam com ‘por que’ possuem a habilidade de inspirar aqueles a sua volta ou encontrar aqueles que os inspiram.”

Simon é conhecido como um grande otimista e um pensador visionário. Isto porque acredita em um futuro brilhante para pessoas e organizações. É Simon quem ensina líderes para justamente inspirar pessoas. Os seus objetivos são arrojados. Ele pretende que as pessoas se sintam inspiradas, seguras e realizadas.

Ele resumiu algumas histórias de sucesso em algo que ele chama de Círculo Dourado: Por que?; Como? e O quê?. “Isto ilustra por que alguns líderes e organizações são capazes de inspirar e outros não.” Segundo ele, boa parte das companhias sabem como fazem e o que fazem. Porém, poucas têm claro o porquê.

O lucro é o resultado. Não é disso que se trata. O porquê é o propósito. Qual o motivo de você fazer o que faz? Quais valores defende? Líderes e organizações somente terão o sucesso que esperam se o seus liderados entenderem a razão de fazer o que fazem. Todos têm de comprar a sua causa, a sua crença. Acreditem. A longo prazo, isso é mais valioso que salário. Define o rumo de uma vida.

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O caso
de Vitória

O termo liberdade econômica tem de se tornar o verdadeiro mote de todo brasileiro. Em minhas mídias sociais e artigos, venho falando muito a respeito de ranking dos países mais hospitaleiros ao investimento. Para a nossa infelicidade, o Brasil está sempre na rabeira. Está no pelotão de trás, com companhia de países de economia fechada e muito, muito pobres.

No caso do ranking da Heritage Foundation, são avaliados o tamanho do Estado, eficiência regulatória, segurança jurídica e abertura de mercado. Nestes quesitos, estamos muito atrás de Hong Kong, Cingapura, Nova Zelândia, Suíça, Austrália e Irlanda. Esses países formam a elite dos países com economia mais livre do mundo, entre 180 países analisados.

Ainda que precisemos de uma iniciativa nacional para mudar esse estado de atraso, é importante destacar algumas iniciativas locais. É o caso de Vitória. A  capital do Espírito Santo foi escolhida pelo ranking da revista Exame como a melhor cidade para ser fazer negócios no Brasil.

O semanário econômico destaca as iniciativas recentes da cidade para ser mais atraente a investimento, empreendedorismo e criação de empregos. Um bom exemplo é a facilidade que se tem hoje para abrir uma empresa. Há seis anos, um empreendedor precisava de pelo menos 120 dias para abrir uma empresa. Hoje, não precisava mais do que 20 dias. E a meta é baixar a 15 dias em 2020. “Nosso desafio diário é tornar a cidade amiga de quem quer empreender”, diz Luciano Rezende, prefeito de Vitória.

O mandatário vitoriense destaca a importância da tecnologia nesse embate contra a burocracia e força redobrada ao empreendedorismo. “Passamos de 5.500 empreendedores individuais formalizados, em 2012, para cerca de 20.000, em 2017”, compara o prefeito.

Ainda no final de 2018, a prefeitura prepara um edital para projetos de startups. Neste caso, essas empresas inovadoras têm de criar soluções para o serviço municipal. A ideia vem de uma parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo. Serão distribuídos R$ 1,5 milhão para os projetos mais bem fundamentados para educação, gestão e saúde.

Isso tudo é fruto da Política Municipal de Inovação. O povo da cidade, certamente, irá se beneficiar da geração de renda e criação de empregos. Muito além dos discursos e das supostas boas intenções, é desses atos concretos que as pessoas precisam. É por esta razão que Vitória é um exemplo para o Brasil. Passou da hora de tomarmos jeito.

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Sinal
de alerta

Uma luz amarela está acesa na economia. E não deve apagar tão cedo. O sinal de alerta foi emitido pelo Fundo Monetário Internacional em seu Relatório de Estabilidade Financeira Global, divulgado no início de outubro. O maior nível de preocupação deve estar entre os mercados emergentes. Nisto, o Brasil é parte interessada.

Depois de uma década da crise financeira mundial, a instituição destaca uma melhora dos quadros regulatórios do sistema bancário. Os freios e contrapesos estão melhor calibrados. Porém, o relatório avisa: “Novas vulnerabilidades surgiram e a resiliência do sistema financeiro mundial ainda não foi testada”. Digamos que foram trocados a suspensão e os freios do seu carro, mas ele ainda não encarou uma pista off-road para ver se dá conta realmente do desafio.

Além disso, a pista vai ser mais esburacada e cheia de lama se o seu carro tiver placa de um país emergente. Isto vale para brasileiros, mexicanos, argentinos, sul-africano, entre outros. “Os riscos poderiam aumentar drasticamente caso as pressões nas economias de mercados emergentes aumentem ou as tensões comerciais se agravem”, alerta o relatório.

O FMI considera que as pressões sobre esses mercados irão aumentar os riscos de estabilidade. Em médio prazo, o cenário pode ser semelhante ao da crise de 2008. É uma probabilidade. Não uma certeza. Para piorar, a perspectiva de crescimento da economia mundial não é das melhores. “Os riscos de médio prazo para a estabilidade financeira mundial e o crescimento permanecem elevados. Um aperto súbito e agudo das condições financeiras poderia trazer à tona uma série de vulnerabilidades acumuladas ao longo dos anos.”

É verdade. O cenário não é dos melhores. Não se trata apenas da relação do brasileiro com a urna. O mundo está complicado como um todo. Estará preparado quem for responsável com as finanças. Não podemos meramente surfar em ondas e achar que voltaremos ao topo por milagre. Já fizemos isso e quebramos a cara. É hora de ter responsabilidade. O caminho é difícil, mas temos força para percorrê-lo. Até lá, vamos prestar atenção nesta luz de alerta. Ela pode ajudar a iluminar nossa jornada.

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Vale conhecer
Milton Friedman

“A sociedade que coloca a igualdade à frente da liberdade irá terminar sem igualdade e liberdade.”

Esta é uma das incontáveis frases de efeito do economista Milton Friedman (1912-2006) que costumamos receber em nossas mídias sociais. O momento não poderia ser melhor, ao menos para o público brasileiro, que está assistindo ao renascimento das ideias liberais.

Se você está buscando autores relevantes no espectro liberal, certamente Friedman tem de estar entre os primeiros. Com prêmio Nobel de Economia e muitas honrarias no currículo, o economista nova-iorquino se tornou um verbete fundamental em qualquer estudo. Estamos falando do fundador da Escola de Chicago. Além do próprio Friedman, lá estão outros economistas que defendem o papel reduzido do Estado.

Um discurso fácil seria atribuir a ele um desprezo pelos pobres. Na verdade, é o total oposto. Enquanto respondia a uma pergunta sobre que liberdade os pobres têm, em um ciclo de palestras entre 1977 e 1978, alguém da plateia o interrompeu: “Você já foi pobre algum dia?”. A resposta foi direta: “Sim. Muito mais pobre do que qualquer um nesta sala. Provavelmente, ninguém trabalhou 12 horas num dia para receber 79 centavos”. Friedman era filho de imigrantes russos. Estudou graças a uma bolsa e muitos sacrifícios.

Ele não colocava todas as atribuições sobre as costas do Estado, como uma entidade protetora dos cidadãos. Essa falsa pretensão, segundo ele, levava a mais pobreza. A responsabilidade deve estar nas pessoas, que não podem admitir que seus concidadãos chegassem mal preparados para competir no mercado de trabalho. Isto era fruto de uma educação fraca oferecida pela Estado.

Entre suas obras, podemos destacar cinco livros: “Capitalismo e Liberdade” (1962); “Uma História Monetária dos Estados Unidos, 1867-1960” (1963), “Liberdade para Escolher” (1980), “Promessas brilhantes, desempenho desanimador” (1983) e “Tirania do Status Quo” (1984). Muitas palestras estão disponíveis, inclusive legendadas, no YouTube. E o legado de Friedman também está vivo na fundação que ele e sua esposa idealizaram.

A EdChoice, antes chamada de Friedman Foundation, tem foco na educação. “Quando abriu as portas há 20 anos, Milton e Rose sabiam que o desafio da escolha pela educação era maior que o nome deles. Eles sempre quiseram que esta fundação não fosse baseada no nome deles, mas sempre quiseram educar o público sobre os benefícios da escolha educacional”, afirmou Robert C. Enlow, presidente e CEO da EdChoice.

Milton Friedman, portanto, vai muito além de memes, frases de impacto ou o ódio dos seus opositores. É alguém com ideais de liberdade para a economia e a sociedade. Não precisamos concordar com tudo, mas ele nunca foi tão atual e necessário.

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A vez da
geração Z

O alfabeto acabou, mas os desafios para as marcas não. Aliás, apenas começaram. A geração Z – pessoas nascidas a partir de 1995 – está chegando às universidades e ao mercado. Eles começam a ter dinheiro no bolso e não aceitam as velhas estratégias de marketing.

Definidos como nascidos digitais, esses jovens estão conectados o tempo todo. Sabem o que querem e não se contentam com pouco. A empresa PHD World Wide produziu um vídeo que viralizou há alguns anos. Nele, pré-adolescentes anunciavam como seria o mundo depois de a sua chegada ao mercado. O testemunhal começa assim: “Se você trabalha com marketing, é preciso melhorar a qualidade do seu jogo. Porque você não viu nada como nós. Vamos comprar e influenciar. Não queremos apenas propaganda. Esperamos conteúdo inteligente e personalizado”.

Eles só estão off-line quando estão dormindo – e olhe lá. O mundo deles sempre foi digital. O que fazer com pessoas interessadas, empreendedoras, engajadas? Certamente, não será apresentando estruturas rígidas de negócio. Muito menos impor produtos com custo alto e que eles não consigam enxergar o benefício. Eles sabem o poder de um simples “unfollow” nos perfis das marcas nas redes sociais. Um simples block destrói marcas do dia para a noite. “Essa geração está preocupada com causas. Querem melhorar o mundo”, disse o professor e palestrante Dado Schneider, em entrevista ao Canal Futura. “Quanto ao consumo, eles não são tão ligados a marcas, como as gerações anteriores. Não estão interessadas em status e consumismo. Eles estão atrelados à ideia de trabalhar e viver de forma harmônica.”

De acordo com Schneider, as marcas têm um problema no futuro. “Essas empresas não vão conseguir se conectar a eles como se conectaram aos antecessores. Porque não buscam compensação no consumo. Isto porque gostam daquilo que fazem. Lazer e trabalho estão cada vez mais misturados.”

Dorte Wimmer, diretor da Retail Institute Scandinavia, foi um dos destaques do painel “O futuro do varejo e o varejo do futuro” no Latam Retail Show. Ela dá as boas-vindas aos consumidores do amanhã. “Tudo está de cabeça para baixo. Para atrair os nativos digitais, as marcas precisam comunicar o consumo com significado. Essa geração dá importância a tudo: tipo de produção, força de trabalho, sustentabilidade, experiência e transparência.”

A consultora de conteúdo digital Alessandra Lippel, por sua vez, tem dados importantes sobre o tema. Em 2020, os jovens da geração Z serão mais de 2,5 bilhões de pessoas. “Eles são um upgrade dos Millenials. São mais pé no chão do que os antecessores, porque viveram o auge da crise de 2008. A tecnologia para eles é uma ferramenta. Não uma obsessão. Estamos falando de  jovens mais pragmáticos e conscientes. Pagam apenas por aquilo que de fato estão usando.”

O desafio para encarar o novíssimo consumidor mal começou. Eles serão a maioria da população com poder de compra. Neste caso, cada empresa deve migrar do produto para a solução. Ainda que as gerações anteriores continuem consumindo, esses nativos digitais vão determinar muitos comportamentos nos hábitos de consumo, nas causas que defendem e até na sobrevivência de grandes empresas.

Destaco com frequência a importância histórica do leitor de código de barras. O mundo de hoje é esse protagonismo do consumidor levado ao extremo. Eles decidem, compartilham, opinam e criticam. Tudo agora. É um mundo híbrido entre físico e digital. É uma revolução fascinante. Todos nós podemos fazer parte dela.

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O omniconsumidor

A palavra do título é até difícil de escrever: omniconsumidor. Porém, este é um conceito fundamental para o varejo atual. Estamos falando de uma nova geração de clientes. Eles são digitais, multicanais e globais.

Por conta disso, “O omniconsumidor na visão de líderes do varejo” foi o tema de um painel, na Latam Retail Show 2018, que participei ao lado de gente importante do setor: Flávia Bittencourt (Sephora), Frederico Trajano (Magazine Luiza), João Appolinário (Polishop), Glauco Humai (Abrasce). Foi muito relevante compartilhar a minha experiência com representantes dos mais variados setores de atividade e uma plateia repleta de representantes do varejo.

É importante destacar que estamos em uma era de convergências. Não se fala mais do e-commerce versus a loja. As duas estão em cooperação. Ambas formam um multicanal de vendas. No caso da Riachuelo, estamos falando também de um hub de conteúdo de moda, comportamento e beleza.

Estamos dando ao cliente a relevância necessária.  O nosso conceito de multicanal tem muito a ver com o nosso aplicativo. Ao abri-lo, o cliente visualiza produtos relevantes para ele. É algo fácil e que cria empatia com o estilo de cada um. O consumidor multicanal pode receber o produto em casa, comprar online e buscar na loja ou ter a experiência do contato do varejo tradicional, mas com todo o universo de informações do mundo digital.

Toda essa interconexão tem tudo a ver com a nossa empresa, que vai do fio até a 10ª prestação. Passamos por todos os elos da longa e complexa cadeia produtiva da longa e conflituosa indústria têxtil. Essa cobertura de negócio é um todo sinérgico, que permite o gerenciamento desse fluxo extremamente complexo.

Do ponto de vista histórico, é importante entender quando o consumidor passou a ser o centro do universo. Há mais de duas décadas, Sam Walton, fundador do Walmart, foi conversar com o seu pessoal de tecnologia. Ele queria entender o que era uma geringonça que eles tinham lá. Ninguém entendia a utilidade daquela máquina que emitia um raio de luz vermelha. Era simplesmente o leitor do código de barras. A partir daí, o consumidor e o varejo iniciariam uma jornada inimaginável.

A vontade do cliente passou a ser capturada, tabulada, estudada e analisada. Ali realmente o papel do varejo começou a mudar dramaticamente. O lojista era o patinho feio da cadeia de suprimentos. Depois, assumiu novas tarefas que fazem com que o varejo seja a grande locomotiva da economia.

A concepção dos produtos e toda a sua estratégia não estavam mais aprisionadas nas imponentes sedes de corporações industriais. A vontade do cliente, capturada pelo lojista com a barriga encostada no balcão, passou ser levada em conta em todos os elos da cadeia: produção, distribuição, venda e financiamento.

A perda de relevância é um risco real quando as marcas estão em seu trono, olhando o cliente de longe. Essa distância entre leva à extinção da companhia. No varejo, ainda existe um cenário no qual e o lojista simplesmente é deixado de lado. Isso acontece quando grandes corporações (fabricantes, via de regra) fazem o contato direto com o protagonista, ou seja, o consumidor.

Esse temor no varejo de moda efetivamente não existe. Ao contrário, tem reforçado o nosso papel. Como empresa, A Riachuelo tem uma posição vantajosa estrategicamente. É importante destacar o ativo que temos em nosso banco de dados. Estamos falando de 30 milhões de titulares de cartão Riachuelo. Destes, 13 milhões são ativos. Tudo devidamente tabulado e filtrado pelas ferramentas de inteligência artificial.

Essa é a grande vantagem das ferramentas do ecommerce, com todas as recomendações e pontos de contato com o consumidor. Além disso, tem o elo financeiro, que está se mostrando um instrumento de inclusão digital muito poderoso.

Por meio desses múltiplos pontos de contato com o consumidor, a Riachuelo – e toda empresa que enxerga o cliente como seu real patrão – tem totais condições de dar saltos em uma realidade tão competitiva. A tecnologia é o impulso que precisamos. Isto porque o propósito continua o mesmo: utilizar a moda como instrumento de inclusão social.

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O varejo tem futuro

Eu até poderia colocar uma interrogação no título. Porém, acredito em uma nova era do varejo. Com todas as incertezas, evoluções e tecnologias, as lojas estão se preparando para mudar de patamar nas próximas décadas.

As discussões durante o Latam Retail Show nos ajudaram a pensar e até projetar as novas gerações de novas lojas e, principalmente, consumidores.

O painel “O mundo do varejo e o varejo do mundo” contou com uma seleção internacional de especialistas: Michel Koch, diretor-geral do Institute Of Connected Commerce (França); Frank Quix, vice-presidente Global Education Council – Association for Retail Environments (Holanda); Neil Stern, Senior Partner – McMillanDoolittle (EUA), Dorte Wimmer diretora da Retail Institute Scandinavia (Dinamarca); Fabrizio Valente, Fundador e CEO de Kiki Lab (Itália). Tudo com a curadoria de Eduardo Yamashita Sócio-Diretor da GS&Inteligência. Vou aqui destacar a fala de alguns deles.

A dinamarquesa Dorte Wimmer destacou a chegada da nova geração de consumidores. Além disso, ela diferencia os nativos digitais dos imigrantes digitais. “Anteriormente, o consumo era pensado para o “eu”. Hoje, os jovens pensam no “nós”. Nesse contexto, existe o consumo com significado, levando em consideração o tipo de produção, a mão-de-obra (condições da força de trabalho), experiência e transparência.” Os clientes nascidos depois de 1982 formam essa legião de gente com  o “poder” de comprar qualquer coisa, em qualquer lugar.  Eles já estão prontos para o próximo passo: o serviço de voz.

Eduardo Yamashita, por sua vez, fez um panorama geral do setor. “O varejo busca expandir negócios, ganhar mais e com maiores margens. Para isso, não basta dividir o mundo entre os polos físico e digital. Apenas dois polos não são suficientes. É preciso o polo da solução.” Já temos muitas soluções que funcionam, como o atacarejo (atacado + varejo) e o fast fashion (é o caso da Riachuelo). Entre tantas fases da história do varejo, vivemos agora o período de inversão, ou seja, empresas digitais estão buscando o meio físico. O caso mais famoso é o da Amazon, que já tem loja própria, mas também entrou no setor de serviços. Oferece desde limpeza da casa até consertos. Enfim, apresenta soluções.

O italiano Fabrizio Valente falou sobre a onda de customização. “Nesse processo, a marca/varejista oferece um produto, uma experiência e uma surpresa.” Ele lembrou quando foi com a filha em uma loja da marca Victoria Secret, em Nova York. “A boutique mantinha pessoas que tiravam as medidas das clientes e emitiam uma ficha com todos os dados. Minha filha se encantou com a aquilo, porque teria mais informações para fazer a sua compra.” Os times do futebol italiano, segundo ele, também estão na onda da customização em sua loja. “Isso é um processo simples, inteligente e rápido.”

Nas palavras do francês Michel Koch, o ambiente de negócios é constantemente modificado por empresas disruptivas e inovadoras. São aqueles pontos fora da curva que mudam a história. Mais uma vez, a Amazon é o exemplo mais óbvio. Por outro lado, grandes marcas são engolidas pelas mudanças da História. A locadora de vídeos Blockbuster é apenas uma lembrança de quem tinha o hábito de pegar uma fita VHS todo final de semana.

Nesse rosário de análises e previsões, o importante é notar o quanto a realidade do varejo é muito mais complexa do que o simples “confronto” entre loja e ecommerce. Esses dois universos estão se mesclando. Até porque o cliente representa essa mistura. Ele está muito mais informado, é hiperconectado e quer inovações o tempo todo. Como bem disse Frederico Trajano, do Magazine Luiza, “não existe mais online e off-line. As pessoas estão online o tempo todo. Só desligam para dormir”.

O varejo tem futuro? A resposta é sim. Porém, temos um terreno muito grande no rumo da digitalização, da experiência e do conhecimento. Hoje, o consumidor está no centro do universo. Ele não está preso a um celular ou um computador. Quer viver experiências em muitos canais. O varejo é este canal de contato, conhecimento e entendimento dos produtos.

O lojista ou prestador de serviço precisa entender essa realidade. Estamos diante de um ecossistema complexo e interdependente. Agradar ao cliente será sempre o propósito e o impulso do varejo. Este é o mote para o sucesso hoje e será também amanhã.

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Leia
Edmund Burke

Tivemos uma onda recente. E foi uma boa onda: a busca de autores liberais e conservadores. Passou muito da hora de encerrarmos a hegemonia cultural dos intelectuais de esquerda. É mais do que justo, termos outras perspectivas e visões de mundo. Nesse contexto, é importante destacar o nome do escritor e político irlandês Edmund Burke (1729-97).

Como bem lembrou o economista Joel Pinheiro da Fonseca, em artigo publicado no caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo, Burke é considerado pai do conservadorismo e continua atual. “Burke acreditava no poder da sociedade humana de instilar nos homens bons sentimentos e virtudes, e de construir espaços de sociabilidade e liberdade.”.

Nessa boa missão de descobrir Burke, o primeiro caminho é degustar o livro “Edmund Burke. Redescobrindo um Gênio”, escrita pelo americano Kirk Russell. A obra foi originalmente lançada em 1967, mas a tradução da editora É Realizações lançada em 2016 já vem repercutindo com o leitor brasileiro. Em uma biografia completa da vida, do pensamento e da vida de Burke, Kirk apresenta o intelectual irlandês como “o primeiro estadista a reconhecer que não há resposta coerente ao iluminismo além do conservadorismo social e político”.

Em tom quase profético, Burke condenou os rumos da Revolução Francesa e o seu banho de sangue. Ele criticou a ignorância da brutalidade em seu clássico “Reflexos Sobre a Revolução Francesa”. Ao mesmo tempo, apoiou a reivindicações das colônias inglesas. Contraditório? De forma alguma, Burke estava ao lado da moderação e dos freios e contrapesos da democracia.

Não por acaso, Burke é considerado o pensador mais a direita que um liberal pode ser. Os excessos do liberalismo geraram o movimento conservador, que defendem as nações e os devidos papéis do Estado. “Temos a livre iniciativa, entendo que as pessoas têm que ter todas as escolhas, mas o Estado tem que existir para garantir que haja essa liberdade”, sintetizou o irlandês. De acordo com Burke, alguns aspectos da vida social precisam da gestão do Estado. Isso garante uma sociedade mais saudável, que garante o bem para o indivíduo. Estabelecemos aí uma postura do conservador liberal.

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Em busca
de um lar

Uma das minhas ideias de felicidade é poder ter um lugar para ir trabalhar e uma casa para retornar. É algo muito simples. Porém, isso ainda é um drama no Brasil. A ausência de emprego e habitação calam fundo ao povo brasileiro.

Não se trata apenas desse desejo da casa própria, sempre tão legítimo. A questão é que temos um país acostumado a governos que fornecem tudo, inclusive casa. Toda essa operação fica muito mais cara e, muitas vezes, gera corrupção.

Tudo isso é fruto do relacionamento estatal com as grandes construtoras, que já têm acesso a grandes financiamentos. Aí está parte do erro. O governo precisa mesmo é subsidiar os pequenos construtores. Assim, conseguimos movimentar a economia, reduzir os preços e atingir quem realmente precisa.

Quando se atinge um déficit habitacional na casa dos milhões, surge muita gente querendo ajudar. Ou ao menos fazendo de conta. É o caso dos ditos movimentos sociais. Invadem uma área, ganham o direito à propriedade, vendem e depois partem para outra invasão. É o mesmo modelo utilizado em propriedades rurais. Eles atuam onde o Estado está ausente – e lucram com isso.

Dá muita popularidade oferecer casas. Muitos aplausos e votos animam os políticos. Mas estou aqui para apresentar algo diferente. É o subsídio nas áreas que precisamos. Não necessariamente, precisamos atuar na construção de grandes conjuntos habitacionais.

Os focos podem ser outros. Primeiro, o subsídio aos aluguéis, porque boa parte do nosso déficit habitacional acaba vindo dos altos preços cobrados nessa modalidade. Outro ponto é incentivar as pequenas construtoras. São justamente aquelas que não têm acesso a grandes financiamentos dos bancos – o que os gigantes do setor sempre conseguem. E, por fim, auxiliar – também na modalidade do subsídio – as reformas nos imóveis mais antigos. Esses três pontos são alternativas para empregar o dinheiro público com mais eficiência, com menos desperdício.

Todas essas medidas precisam ser um plano nacional para ser feito em sintonia com os municípios. É lá que a vida acontece. Não adianta alguém sentado na Presidência distribuindo escrituras para se sentir bem com a sua consciência e ganhar mais votos na próxima eleição.

A atuação do Estado tem de ser injetar recursos na economia. Assim, todos os setores se mobilizam. É o ponto onde emprego e moradia se encontram. Com essa ativação inteligente dos agentes econômicos, podemos iniciar um círculo virtuoso de desenvolvimento. Assim, todos podem ter a satisfação de ir trabalhar e ter um lar para retornar.

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Sempre o cliente

A razão de ser de uma loja é o cliente. Está aí algo mais óbvio do que a necessidade do ser humano por ar, água e alimento. Pois bem. Não basta ao lojista vender por um preço baixo ou apresentar um produto de qualidade. Se não fizer uma boa equação dos dois e elevar a qualidade do atendimento e aumentar a variedade de peças, o lojista tem vida curta.

É a velha história do propósito. Se a sua missão é vender barato, talvez não entregue a melhor peça. Ao montar um portfólio de produtos que privilegie a exclusividade, o varejista não terá a liquidez de que necessita. É uma estrutura conceitual que precisa sair do ótimo local para o sucesso global, com uma visão holística de toda a cadeia.

Ao concebermos toda a nova cadeia de suprimentos da Riachuelo nos possibilitou modificar todo o layout de nossas lojas. Apresentamos agora maior variedade de modelos, tamanhos e estampas. Não é mais a loja que determina o que vai ser o sucesso. É o consumidor. O varejista de sucesso faz uma aposta, mas acompanha quase em tempo real as reações do mercado.

Foi com orgulho que recebemos o prêmio de atendimento Época Reclame Aqui, na categoria “Moda e confecção – Varejo”. A premiação foi uma parceria da revista semanal com um importante site de defesa com consumidor. Muito mais do que um troféu em nossa galeria, esse reconhecimento do voto popular demonstra a correção do caminho que seguimos.

Aqui pensamos no que deseja a Dona Maria que faz a sua compra e paga parcelas de R$ 15. Temos milhões de Marias que vão a nossas 302 lojas ou acessam o nosso ecommerce. O princípio, porém, não vale apenas para a Riachuelo. É o que move a Estrela, que fez crescer gerações, as Lojas Americanas, que vivem se reinventando, e a muitos de nossos concorrentes diretos.

Se não pensar na ponta final e o porquê as pessoas irão comprar o seu produto, não vai durar. A relação com o cliente tem de ser de cumplicidade. Em um bom trabalho com a marca, também precisamos criar fãs.

Os prêmios são apenas um reconhecimento do que se faz. Quem se limita a ficar olhando para a sua estante de troféus corre o risco de parar de entender o consumidor. Este não é o mesmo de anos atrás. Eles são muito bem informados e com muitas referências. O lojista tem de ser um parceiro na venda, não apenas um fornecedor. Aquele que souber atender a necessidade real do cliente irá ganhá-lo por muito tempo. E temos de conquistá-lo todos os dias.

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